Suzano, Monte Cristo, 25 de abril de 1998.
Filha,
A gente se tornou muito distante, e cada vez estamos ficando
mais distantes. Até onde isto irá parar, não sei. Mesmo hoje, dia do seu
aniversário de 32 aninhos, (embora eu tenha me lembrado desde cedinho), eu não
me senti à vontade para pegar no telefone e lhe dizer: “Parabéns, filha! Feliz
aniversário! Que Deus lhe dê toda a felicidade do mundo, para você e os seus”.
Eu não tenho estado bem comigo ultimamente, e hoje, passei péssima. E fora
isso, a nossa falta de espontaneidade mãe-filha, tem sido flagrante e
inibidora. Gostaria que isso nunca tivesse acontecido. Mas veio acontecendo...
Acontecendo... E aconteceu. Não sei precisar quando começou, nem por que foi. O
ruim, é que existem muitas mágoas entre nós, provocadas por quem, primeiro? A
despeito de não conseguir enxergar o ponto inicial do fio da meada, culpo em
primeiro lugar, como principal causadora de tudo, esta insanidade mental, que
começou a tomar conta da minha cabeça, a partir do fim do ano, (novembro? Ou
dezembro?) de 1982, e que, até hoje, parece querer fazer questão de não me
deixar nunca mais. Talvez, sem esse, para mim, tão sério problema, nada de tudo
que veio acontecendo conosco após, teria acontecido. Não posso exigir que vocês
me entendam, da mesma forma que não posso condená-los, por seus desinteresses
em me entender. Antes, prefiro mesmo, que vocês nunca consigam qualquer pouco
aproximado entendimento, para com estes meus já quase dezesseis anos de
insolúvel calvário.
Clô