sexta-feira, 24 de abril de 2015

CARTA A MINHA FILHA MARIA JUSSARA, NO DIA DO SEU 32º ANIVERSÁRIO.

                              Suzano, Monte Cristo, 25 de abril de 1998.

Filha,

A gente se tornou muito distante, e cada vez estamos ficando mais distantes. Até onde isto irá parar, não sei. Mesmo hoje, dia do seu aniversário de 32 aninhos, (embora eu tenha me lembrado desde cedinho), eu não me senti à vontade para pegar no telefone e lhe dizer: “Parabéns, filha! Feliz aniversário! Que Deus lhe dê toda a felicidade do mundo, para você e os seus”. Eu não tenho estado bem comigo ultimamente, e hoje, passei péssima. E fora isso, a nossa falta de espontaneidade mãe-filha, tem sido flagrante e inibidora. Gostaria que isso nunca tivesse acontecido. Mas veio acontecendo... Acontecendo... E aconteceu. Não sei precisar quando começou, nem por que foi. O ruim, é que existem muitas mágoas entre nós, provocadas por quem, primeiro? A despeito de não conseguir enxergar o ponto inicial do fio da meada, culpo em primeiro lugar, como principal causadora de tudo, esta insanidade mental, que começou a tomar conta da minha cabeça, a partir do fim do ano, (novembro? Ou dezembro?) de 1982, e que, até hoje, parece querer fazer questão de não me deixar nunca mais. Talvez, sem esse, para mim, tão sério problema, nada de tudo que veio acontecendo conosco após, teria acontecido. Não posso exigir que vocês me entendam, da mesma forma que não posso condená-los, por seus desinteresses em me entender. Antes, prefiro mesmo, que vocês nunca consigam qualquer pouco aproximado entendimento, para com estes meus já quase dezesseis anos de insolúvel calvário.
                                   Clô
                                          

sábado, 18 de abril de 2015

E S P E C T R O S


                  (EX-... PEDRO ???)
                         Para o Dr. Pedro do Nascimento
...(“Quem, entre o incêndio da alma em que o ser periga, 
       Me deixou só no fogo e no torpor?”)

...(“Do que não sabe, o sentimento é cego.
      Como um grande desejo que nos mente.”)...

...(“Tua memória há sem que houvesses,
      Teu gesto, sem que fosses alguém.”)...

...(“Não poder eu prendê-lo, fazer mais
      Que vê-lo e que perdê-lo!... E o sonho é o resto...”)

...(“Minha alma beija o quadro que pintou...”)...
                           FERNANDO PESSOA

...(“Se me dói hoje o bem que me fizeste
      É justo, porque muito te devi.”)...

...(“E fugiste... Que importa? Se deixaste
      A lembrança violeta que animaste,”)...
                         MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

Nas guerras duvidosas do indeciso
Por simultâneas vezes... me alternava
Entre premonições... (que me assombravam)
De espectrais sombras: Frustros? Ou... Sorrisos?

Quem mais seriam? Lucros? Prejuízos?
(Antecipada, à vê-los... me indagava.)
E... Em lapsos mais lúcidos de juízo,
Estas visões... Quanto me incomodavam!

...Não ter-te... E... Ter-te!!! Eu perdia... E... Ganhava!!!
Disjuntos... – RAINHA!!! (Conjuntos... – só... escrava:
Perto, - os... Infernos.) Longe, - o... PARAÍSO!!!

(Não ter-te? Eu Perdia? Ou, ganhava?
Conjuntos? ...- RAINHA!!! (Mas, disjuntos?... – a... escrava:
Longes?... – Infernos.) Pertos?... – PARAÍSOS!!!)

...Que fazer?... Vou-me... (Ora mansa... Ora brava...) -:
Da precisão - que eu menos precisava,
É a precisão... que agora... ?!?!?!?!?!?!?!?!?!.........
                                                       (- Eu mais... Preciso.)

                           Clotilde Sampaio

                                                 Largo do Pelourinho, 16/04/1991.-
                                             Terça-feira – (entre 11:05 a 13:10 horas.-)

                                                             Salvador, 17/04/1991.


sexta-feira, 3 de abril de 2015

18 a 29-04-80 – sexta-feira – Monte Cristo - Suzano

Já estou em casa. Cheguei às cinco. Nada de novo. Estou vazia mas pesada. Eu hoje estou muito sem ninguém. Eu hoje estou muito sem nada. Lembrar dos velhos tempos! Só é o que faço. Só que, comparando o que fui com a minha insignificância de hoje, nem dá pra pensar. Mas penso. Enfim, dentro de mim, um mundo. Fora de mim, a vida. E tudo continua. De um modo que eu não gosto, mas que tem que continuar. Meus filhos são jovens agora. E precisam viver o que não vivi. São a minha continuação. E a minha juventude, revive na juventude deles. Vou deixar de ser chata e deixá-los viver como quiserem e do melhor modo que puderem a vida. Apenas vou orientá-los naquilo que for do meu alcance e quando de mim precisarem. Eles têm que sair pela vida, conhecer a vida, viver a vida. Enfrentar o bem e o mal. Vencer o mal e trazer o bem com eles. Enfim o que é a vida? É luta contínua. Por que na minha vida eu só fiz o contrário? Lutava contra o bem e trazia o mal comigo. Tudo por falta de conhecimento e de orientação. Ah! Se eu pudesse viver os meus velhos tempos com a experiência e a mentalidade que tenho agora! Mas não dá. Irremediavelmente tudo passou.

22-04-80 – terça-feira
Dia também em que comprei o relógio, Cr$ 2.700,00.

Eu não sei como
Uma pessoa pode
Ser tão falsa a ponto
De mentir muito
E de enganar tanto.

24-04-80 – quinta-feira
Eu vou ficar milionária, só pra comprar teu orgulho. Estamos fazendo aniversário hoje e quero um presente: Você. Exijo este presente. Te espero em casa, depois da meia-noite, tal como nos velhos tempos? Mereço, não acha?
“Se você crê em Deus/ erga as mãos para o céu/ e agradeça./ Quando me conquistou/ sem querer me acertou/ na cabeça./ Eu sou sua alma gêmea/ sou sua fêmea/ seu par, sua irmã./ Eu sou seu incesto./ Eu nasci pra você/ igualzinha a você/ eu não presto/ eu não presto./ traiçoeira e vulgar/ sou sem nome, sem lar/ sou aquela./ Eu sou filha da rua/ sou cria da sua costela./ Sou bandida/ sou solta na vida/ e sob medida/ pros carinhos teus./ Meu amigo/ se ajeite comigo/ e dê graças a Deus”. *(música cantada por Fafá de Belém).
Engraçado! Ultimamente, não tenho estado sendo vista!
Amanhã é aniversário da Jussara e o Aoud hoje me deu Cr$ 5.000,00.

29-04-80 – terça-feira
Terei que ser eu mesma,
 por mim mesma.
                                                Clô