Aoud,
Meu querido,
Todos os anos, (isto, desde 1963 para cá, é óbvio), abril se abre, só pra me excitar. E maio, então! Nossa!!! E como se aproveitam, e como se divertem, com a minha fraqueza! E me excitam de um modo tal, que eu chego a ponto de passar todos os minutos destes meus sessenta e um dias e sessenta e uma noites (como é o caso de hoje que já são 1:15 h da manhã... do dia seguinte, e eu às voltas com o perturbar de tantas lembranças, ainda não dormi. E estou, inclusive, não só pensando em você, como também, a escrever-lhe isto aqui.) a rememorizar fatos e coisas que, embora já há muito superadas, se tornaram e são, para mim, inesquecíveis. Isto, pela razão de terem sido, de todos os meus momentos, os meus melhores momentos. E só porque eu os passei ao lado do homem que foi, é, e será sempre, o amor da minha vida: VOCÊ. Sim, meu querido, para mim, não houve antes, nem depois. Foi só durante. Foi só durante você, foi só durante a nossa convivência, é que eu amei, e é que eu vivi.
A tua,
só tua,
Clô
Suzano, 26 de maio de 1980. Segunda-feira, 1:22 horas.