sábado, 22 de novembro de 2014

A... SÓ

        
Trago-te todo, ainda em minhas mãos!
Tenho-te todo, aqui, nas minhas mãos!
É só querer...
Quer ver?

Basta estalar
Dois só dos meus dedinhos
E te chamar:
“Vem, vem, meu cachorrinho!”
Que num instante,
Rosnando contente,
Fazes-me festas!
Pulando em minha frente!
E olhas-me terno,
Com amor... Com carinho...
E lambes minhas mãos!
E esfregas-me o focinho!
(Parece que sorris!
Parece até que falas!
Mas de tanta emoção
Humildemente calas).
Feliz! Feliz!
Mansinho! Mansinho!
Rebaixando-te e às orelhas,
Reacenando o rabinho.

Só que eu não quero.
Te deixo onde estás.
O teu lugar é aí.
Com as, e os mais.
Aqui, é o meu Totó.
E eu não saio mais do meu, Totó,
E nem te quero mais no meu!
Viu, Totó?...

Roa os teus ossos
No teu fundo de quintal...

- Cabe uma só
No lugar só, do pedestal.

            Clotilde Sampaio

                                                  Nova Mogi, 03/06/88
              quinta-feira – 10:15 horas





quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Pelô, 26/02/94 – sábado.

1) Hoje, aniversário de Beth! (Bertina) 80 aninhos! Minha querida Amiga Cora Coralina! Fui até sua casa na Federação e me empanturraram de comida e de cerveja.

2) De repente,
Tudo isto aí para mim,
É nada.
Nada me sensibiliza,
Nem me faz vibrar mais.
Passo pelas coisas... e...
Só passo.
Tudo me é apenas
Um constante perder tempo.

Nada de novo, nada de útil, tudo igual: a mesma cantilena de sempre. As mesmas pessoas. Nada me diz nada, nem me acrescenta nada nem muda nada em mim. E chegar neste ponto, é triste. Me esforçar tanto, para chegar neste ponto que cheguei... Haverá alguém ganhando com isso? Eu? Quem? Nada me espanta, nada me causa espécie. Nada me faz ir, nada. E já que nada me diverte, nada me distrai, nesta pasmaceira em que estou, para melhor poder ir suportando-me, começo a coçar a cabeça, e a arrancar com as unhas minúsculos pedaços de pele, para que, todos os dias possa me distrair a cutucá-la, com a desculpa voluptuosa de arrancar-lhe todas as casquinhas sequíssimas, tostadíssimas, que me causem um erótico prazer nas unhas e nos dentes. Minhas unhas ficam doloridas, os meus cabelos caem, mas não importa. O vício de arrancar as casquinhas e mordê-las nos dentes é insaciável. Perco o sono, perco o tempo, perco os cabelos, só não perco o vício. E o pior é que acabo também perdendo a moral para mim mesma, e para quantos me observem. Deve estar um luar lindo lá fora... É o que está me parecendo, na claridade que vem pelas janelas desse apartamento onde estamos com os dias contados para deixá-lo, ou seja, estamos nele como se estivéssemos nos últimos dias de Pompéia. E eu que nunca, nestes cinco anos, havia visto um luar sequer aqui, do Pelô, agora estou tendo a oportunidade de verificar que, entre tantas outras coisas como galos cantando de madrugada, também há luar aqui no Largo do Pelourinho! E que luar! E isto, eu só pude constatar agora nestes dois últimos luares que me está sendo proporcionado ver! Ah! Eu precisava estar apaixonada, para poder falar desse luar! Só que eu não estou conseguindo mais me apaixonar. Embora as tentativas, algumas poucas, sim, mas que parecem muitas, de tão sofridas. Mas tudo, tão em vão.
           Clô


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

MEU ÚLTIMO SONHO



Eu sonhei que tinhas vindo aqui
No sete quatro dois-A, apê três um, Nova Mogi.
Toca o interfone... E eu corro atender...
E levo um susto: não!.. Não posso crer!..
Aoud aqui?...  Será?...  Por que será?...
Abro-te a porta, e mando-te entrar.

Entras sorrindo, e me olhas contente.
Não pode ser...  Será que estou demente?...
Há quantos anos não o vejo assim
Vindo por si...  e todo... (só pra mim?...)
Me enlaças junto a ti, me beijas, e me dizes:
- “Vim te buscar! Devemos ser felizes!”

És todo amor. E estás tão diferente...
Desse monstro que és, transformas de repente
Naquele DEUS total!  O Ideal dos meus sonhos!
Que, como outrora real, me estás belo...  e medonho.
- “Vim te buscar! Só a ti, e aos teus versos.
Pra poder recriar meu perdido Universo.”

- Eu não posso ir assim. Não estou preparada.
Para onde me levas?...  Eu...  sonho? Ou...  é piada?
- “Vem assim! E me traz, só tua espiritual beleza.
... Para onde te levo?... Não. Não digo. É surpresa.”
Não entendendo nada, confiante, te segui.
Me beijas...  e, irrefutável: - “Não te quero em Mogi.

... Já que estamos velhos... e talvez...  bem no fim,
Só te quero em São Paulo. É bem mais perto de mim.”
Estou num mágico sonho?... Ou...  maga ingenuidade?...
Simultâneos já estamos no centro da Cidade!
Bem juntinhos!  Ah!  Saudade!  És tão grande!... E me apraz
Lembrar tudo que fomos!... Há Bodas de Prata atrás...

Fazes o mesmo percurso: Bandeiras...  Anhangabaús...
Santa Efigênia...  E, estamos... na Avenida da Luz!...
(Atual Prestes Maia.)  Contornas... Era aqui?...
Era? Não. Inda é: o Edifício Embassy.
Estacionas em frente. Descemos...  e entramos.
No hall... o mesmo espelho!  E nos...  Duplificamos!

O mesmo elevador...  Nós também somos os mesmos!...
Entre as chamas dos beijos!...  Abraços!... E, não vemos
O instante de chegar...  Lá no terceiro andar.
Após o corredor...  No trinta e três (?) entrar.
Abres a porta, e...  no lugar das meninas
Nuas que então havia (em fotos clandestinas

Que ao depará-las...  Nossa!  Como eu fiquei chocada!
Ver-te a vê-las...  Que horror!  Me infernou de ciumada.
“Bonitas moças!”  Dizias encabulado
Tentando camuflar todo o erotismo ousado
Que por todo o ambiente, das nús se desprendia
E que naquele tempo, (mesmo sem a AIDS) não podia).

Vejo-me jovem, nos posters dos retratos
Que estando a te mostrar... me os roubastes no ato.
E que julguei, tivesses consumido
Todos, no teu sadismo bem bandido.
No lugar das duas camas solteiras, um Sofá-
Cama-casal-cor-rosa-choque é que está.

Um armário embutido: Guarda-roupas e Armário
Já guardando os meus Livros!  Papéis!  Vestuários.
Poltrona Giratória!...  Na Mesa Escrivaninha!...
A Máquina de Escrever!...  O telefone. A cozinha
Com seus mini-utensílios, geladeira, e fogão.
Uma radio-vitrola, uma televisão.

Um armário espelhado do mesmo Banheiro!...
Brastemp (lava-roupas), uma Ducha, um Chuveiro.
- “Aqui, já é tua casa, teu lar, teu escritório.”


- E meu Templo!
(Só me falta aqui, Amor,
Meu Oratório).
Estás todo ao meu lado.
E me falas: - “SOU TEU.”
Feliz, só me pergunto:
Esta MULHER...  sou eu?...

De tão nítido este sonho,
Parece Realidade.
Mas desperto. E...  que pena! 
És só perversidade.
Nas palpáveis mentiras...
Da impalpável Verdade.

                        Clotilde Sampaio


                        Nova Mogi, 21/07/1988.
                        Quinta-feira, 10:40 horas.












domingo, 16 de novembro de 2014

17/11/88 – Suzano - quinta-feira

1)   João acaba de chegar da Bahia agora à meia noite. Disse que foi uma carta da Editora Global lá para a Bahia dizendo que não vão publicar o meu livro porque já estão cheios de compromissos e não estão podendo publicar nem os que já estão na frente. Tudo bem. Só que eu juro que eles irão se arrepender por isso. Na próxima semana irei buscar a cópia que lá deixei. E quem sabe levarei para outra Editora, ou daqui ou da Bahia. Isto não me desanima. Muito pelo contrário. Só me dá mais forças para eu lutar mais pelas coisas que acredito. Eu sei o meu valor. Eu acredito em mim. Eu vou conseguir publicar o meu livro de qualquer jeito até o início do ano que vem e vou deixá-los todos com a cara no chão. Isto é, para mim, só o fato de pôr mais lenha na fogueira. 

   19/11/88 – sábado

1)    Ocaso da vida e de tudo. E de repente, neste instante, a depressão outra vez. Às onze e quarenta deste sábado... Ah! Como tudo é tão diferente de muitos outros sábados de vinte e cinco anos atrás. Devo ter nascido já com o destino de viver sempre sozinha. Porque entre o estar completamente só e o de ter um marido chato sempre ao meu redor, e aquela rotina de nunca estar desacompanhada, é claro que ainda eu prefiro este destino nada fácil mas bem mais raro que é o de estar só. Eu sou-me a minha melhor companhia.
2)    Engoliram em seco. Isto é o que estou fazendo por não achar qualquer sentido para a minha vida e nem a compreensão para o porquê de tudo ter sido assim como foi e é.

   20/11/88 – domingo

    1)   UM GRANDE AMOR, FAZ UM LIVRO: eu.
    2)   Meu número da sorte é o 9.
  3) Sexta-feira, ao término das apurações, procurei tanto alguém que pudesse me dar uma resposta sobre a vergonha grande das eleições suzanenses e não achei ninguém. Nem seu Ítalo, nem Dr. Pedro, nem Prefeitura, nem Fórum abertos. Tudo fechado em Suzano. Só a sujeira total festejava Suzano e sua sujeira e seus sujos.

   22/11/88 – terça-feira

1)   Farsa. Só farsa foi o que aconteceu aqui em Suzano em vez de eleições. De todos. E como souberam representar. O cachê deve ter sido bem alto para cada um dos artistas que, sem muita categoria, souberam representar ao ponto necessário de convencer todo o povo de uma cidade. Parabéns, Suzano, pelo desempenho quase que completamente convincente na representação da corrupção.
                                                                                                         Clô                                                                                                                                 


sábado, 15 de novembro de 2014

SUJEIRAS

        
                                  para Aoud Id

Dez e quarenta... Iníqua terça-feira!...
Recaio. E telefono para Auade.
“- Já não está. Se foi para a cidade.
Hoje? Não volta mais. Pois, costumeira-

Mente, sempre ele passa lá por toda a tarde.”
E eu me lembrei das outras terças-feiras...
Às tardes...! Quando ele vinha pra cidade
Somente pra passá-las à minha beira...

Deixa pra lá! Pra quê lembrar besteiras
Que já passaram? E, se pra mim passaram,
Pra ele, não! E, por mais que ele fuja

Mais se enlameiam em suas lameiras.
Pois, do encontrar de um sujo com uma suja
Que poderão fazer, senão, sujeiras?

               Clotilde Sampaio

                                        Poá, SP, 1984.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

10/06/98 – Suzano - quarta – Clô - MINHA VÓ

102) Jussara e Mauro foram ao aeroporto buscar Vitória e Vera, que chegaram em Cumbica às 21:30 h, e aqui em casa + ou – 22:30. Foi ótimo depois de tanto tempo sem nos rever, estarmos juntas de novo mãe-filha. Vitória está lindíssima, mais adulta, e com aqueles ares de civilização européia: comentando sobre Lisboa, Madri, Paris... por enquanto! Verinha, aquela grande simpatia de sempre, baianérrimas ambas. Saíram cedinho, + ou – 7 horas, para irem à Faculdade com a Jussara e passaram todo o dia lá em Jussara assistindo o 1º jogo da Copa hoje. Me convidaram para ir lá também, não tive vontade de ir. De antemão já sei como tudo iria decorrer. Principalmente se a . . . . . . . . . . . . . estiver presente, aí é que estraga tudo mesmo. Deixem todos se esbaldarem sem a minha presença que, já não lhes faz falta nenhuma, e até já é muito demais. Aliás, todos eles já estão vivendo como se eu já tivesse deixado de existir. Falam em mim, e me visitam às vezes, só por mera formalidade. Para não ficar sem fazer nada, fui em Dona Maria, conforme já lhe havia prometido. Fiquei lá, fingindo que era pela Copa. Mas o que eu gosto mesmo nessas ocasiões, é a companhia de várias pessoas juntas, homens, mulheres, todos animados, torcendo, e vem cerveja! E vem conversa! E vem animação! Eu mesma não torço nada, mas gosto da companhia das pessoas, e da alegria da farra. Como não veio ninguém (Sandro, Toninho, Joãozinho Mirreis, etc) e só ficamos nós duas e a criançada dela e minha, não teve graça. Mas foi bom para na próxima eu não perder o meu tão precioso tempo com este tipo de futilidades.

103) Trouxeram-me vários presentes: quadrinho do Pelourinho com a nossa primeira casa lá, a do Largo do Pelourinho nº 16, apto 11, um bibelô, tipo biscuí, delicadinho, uma gracinha, de porta chaves, que Vitória me deu. Dois cobertores baianos da campanha que Vitória disse que Dona Arlette Magalhães lhe deu e ela trouxe. Mais umas vasilhinhas e colherinha do vôo da TAM em que vieram, + um joguinho de brincos e correntinha com medalhas (Vera me disse que banhados a ouro) lindíssimos que Verinha me deu. Mas o presente mais valioso de todos que recebi ou que poderia receber foi este belíssimo e profundíssimo poema que João Vitor escreveu para mim, e que, por intermédio da sua mãe me mandou.

                              MINHA VÓ

Minha Vó é uma pessoa bonita
Ela é amiga
E também corajosa.

Minha vó é a pessoa que eu mais gosto
Que eu mais amo
E de que eu mais me orgulho.

Esta é minha vó,
Não só minha vó,
Mas também minha segunda mãe
É seu nome Clotilde.

Hoje chove.
Mas não há motivo para fazer sol
Porque eu estou aqui:

Fui condenado a ficar aqui pelo destino
Longe da minha Vó
E de onde nasci.

Longe de onde gostaria de estar
E fico na esperança
De morar perto da senhora.

                         João Vitor Régis Sampaio
                     Terça-feira, Salvador, 09 de junho de 1998.



terça-feira, 11 de novembro de 2014

HOMEM DEUS – DEUS HOMEM


Ai ! Esta sensação de assombro, espasmo, espanto !
Que inebria, entorpece, aniquila, e corroe. . .
É que eu te amo tanto, tanto, tanto !
Mas tanto, tanto, tanto, tanto, tanto !
Te amo você tanto, que até dói ! . . .

. . . Vazio e solidão que me consomem
Nesta saudade que tem bem de quê :
É que eu não vejo os outros homens. Eu vejo um HOMEM.
Um HOMEM que supera os Super-Homens.
E eu só quero esse HOMEM, Amor, : - VOCÊ !

Estou te pedindo, mas, com voz de mando :
Vem, meu Amor. Vem já para os meus braços !
Pois, bem feliz, eu só me enxergo quando
Você ocupa todos os meus espaços !

Dia após dia, eu endoideço. Enquanto,
Aguardo o instante de rever você.
Tuas lembranças me obcecam tanto,
Que até lhe chamo Obceção com c.

Todo o poder do meu próprio comando
Vem de eu me dar esta filosofia :
Prefiro o amor de um DEUS de vez em quando,
Que os de um homem comum todos os dias.

E . . . Ah ! Quem me dera ! (Estarei ousando ? . . .
Sendo pretensa ? . . . Ou, mesmo, profanando ? . . . )
O amor de um DEUS . . . neste Olimpo – Bahia !

                           Clotilde Sampaio

                       Graça, Salvador, BA, 22/julho/1982, quinta-feira.



sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Sábado, Suzano, frio, agosto de 1980.

1:10 da manhã de domingo, já 24 de agosto. (Faz 26 anos da morte do presidente Getúlio Vargas). Você saía no sábado, varava a noite, entrava no prédio, penetrava no nosso apartamento, penetrava no nosso quarto, penetrava no meu corpo, entrava no meu coração e descambava, bem acomodado no mais profundo de minha alma. Bem a essas mesmas horas: 1:10 da manhã. Me dá só um pouquinho de você pra mim. Me dá, bem? Me dá, sim? Tanto os anos passaram entre nós, que eu já sou pra você uma desconhecida. Portanto te sou uma novidade. Venha conhecer-me de novo, sim? Tomei, à pouco, um meio banho de imersão bem quente, só pra me lembrar bem, bem, bem, você. E como me lembrei de você, poxa!
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Já são meia hora do dia 26-08-80, terça-feira, e eu estou na metade de um Prestígio porque a outra metade eu acabei de dar agorinha mesmo, para o Ita. Gosto de comer Prestígio. É o único chocolate que me traz de volta ao passado. Aquele lindo e inesquecível passado onde Aoud, dia sim, dia não, dizia presente na minha vida, e sempre trazendo chocolates! Prestígios, Sonhos de Valsa, Lakajus, Ouros Brancos e Diamantes Negros.
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Aoud, você não me tolera, você não vive comigo, mas eu não quero que você morra. Deus me livre, nem quero pensar nisso. Sei que isso é fatal, que ninguém fica pra semente. Mas de nós todos, isto é, de nós seis, eu quero ser a primeira a partir.
Como eu te amo, amor, como eu te amo!

Por um acaso, o acaso me fez olhar para o meu lado direito e ver: em meio à multidão, mas, bem destacado da multidão, um enorme e másculo vulto, que também por sua vez, me olhava. E como me olhava! Aliás, só me olhava.

                                                                                                            Clô

terça-feira, 4 de novembro de 2014

ANJO BARROCO


Para um dos Anjos Barrocos da
Igreja da Conceição da Praia de
Salvador – Bahia. –

Meu Anjo Barroco
Encontro de opostos
De acasos e ocasos
Confrontos, contrastes:
Do nada que havia
Do pouco que houve
Do muito que há
Ficaram teus olhos
Que só me acompanham
Onde quer que eu vá.

Teus olhos bonitos
Teus olhos carentes
Teus olhos sagazes
Teus olhos distantes...
Perdidos... Medrosos...
Gritando socorro
Pedem companhia
No reino encantado
Da maga poesia
Mundão de mistérios:
Salvador – Bahia.

Você me deixou
Marcas bem profundas
Marcas saltitantes.
Indiscretas marcas.
Não só no meu rosto.
Não só no meu corpo.
Também na cabeça.
Também na minha alma.
E agora?... O que faço?...
De repente... Eu amo! ! !

Não posso, nem quero
Ninguém. Só você.
Isto é um segredo
Imenso. E só nosso.
Passo a confiar-me-lhe-te.
Assim.
Ou. . . Não posso?. . .

                   Clotilde Sampaio


Largo do Pelourinho, Salvador, BA, 06/08/1986 – quarta-feira