Eu sonhei que tinhas vindo aqui
No sete quatro dois-A, apê três um, Nova Mogi.
Toca o interfone... E eu corro atender...
E levo um susto: não!.. Não posso crer!..
Aoud aqui?... Será?... Por
que será?...
Abro-te a porta, e mando-te entrar.
Entras sorrindo, e me olhas contente.
Não pode ser... Será que estou demente?...
Há quantos anos não o vejo assim
Vindo por si... e todo... (só
pra mim?...)
Me enlaças junto a ti, me beijas, e me dizes:
- “Vim te buscar! Devemos ser felizes!”
És todo amor. E estás tão diferente...
Desse monstro que és, transformas de repente
Naquele DEUS total! O Ideal dos meus sonhos!
Que, como outrora real, me estás belo... e medonho.
- “Vim te buscar! Só a ti, e aos teus versos.
Pra poder recriar meu perdido Universo.”
- Eu não posso ir assim. Não estou preparada.
Para onde me levas?... Eu... sonho?
Ou... é piada?
- “Vem assim! E me traz, só tua espiritual beleza.
... Para onde te levo?... Não. Não digo. É surpresa.”
Não entendendo nada, confiante, te segui.
Me beijas... e, irrefutável: - “Não te quero em Mogi.
... Já que estamos velhos... e talvez... bem no fim,
Só te quero em São Paulo. É bem mais perto de mim.”
Estou num mágico sonho?... Ou... maga ingenuidade?...
Simultâneos já estamos no centro da Cidade!
Bem juntinhos! Ah! Saudade! És tão grande!... E me apraz
Lembrar tudo que fomos!... Há Bodas de Prata atrás...
Fazes o mesmo percurso: Bandeiras... Anhangabaús...
Santa Efigênia... E, estamos... na Avenida da Luz!...
(Atual Prestes Maia.) Contornas... Era
aqui?...
Era? Não. Inda é: o Edifício Embassy.
Estacionas em frente. Descemos... e entramos.
No hall... o mesmo espelho! E nos... Duplificamos!
O mesmo elevador... Nós também somos os mesmos!...
Entre as chamas dos beijos!... Abraços!... E, não vemos
O instante de chegar... Lá no terceiro andar.
Após o corredor... No trinta e três (?) entrar.
Abres a porta, e... no lugar das meninas
Nuas que então havia (em fotos clandestinas
Que ao depará-las... Nossa! Como eu
fiquei chocada!
Ver-te a vê-las... Que horror! Me
infernou de ciumada.
“Bonitas moças!” Dizias encabulado
Tentando camuflar todo o erotismo ousado
Que por todo o ambiente, das nús se desprendia
E que naquele tempo, (mesmo sem a AIDS) não podia).
Vejo-me jovem, nos posters dos retratos
Que estando a te mostrar... me os roubastes no ato.
E que julguei, tivesses consumido
Todos, no teu sadismo bem bandido.
No lugar das duas camas solteiras, um Sofá-
Cama-casal-cor-rosa-choque é que está.
Um armário embutido: Guarda-roupas e Armário
Já guardando os meus Livros! Papéis! Vestuários.
Poltrona Giratória!... Na Mesa Escrivaninha!...
A Máquina de Escrever!... O telefone. A cozinha
Com seus mini-utensílios, geladeira, e fogão.
Uma radio-vitrola, uma televisão.
Um armário espelhado do mesmo Banheiro!...
Brastemp (lava-roupas), uma Ducha, um Chuveiro.
- “Aqui, já é tua casa, teu lar, teu escritório.”
- E meu Templo!
(Só me falta aqui, Amor,
Meu Oratório).
Estás todo ao meu lado.
E me falas: - “SOU TEU.”
Feliz, só me pergunto:
Esta MULHER... sou eu?...
De tão nítido este sonho,
Parece Realidade.
Mas desperto. E... que pena!
És só perversidade.
Nas palpáveis mentiras...
Da impalpável Verdade.
Clotilde
Sampaio
Nova Mogi, 21/07/1988.
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