Clotilde Costa Sampaio nasceu em 17 de maio de 1940 em Santa Cruz do Rio Pardo, SP e faleceu em 17 de janeiro de 2010 em Mogi das Cruzes, SP. Poeta desde os 23 anos quando, viúva com dois filhos, conheceu o grande amor de sua vida e com ele teve mais dois filhos, em SP, capital. Construiu sua casa em Suzano, SP. Alternava períodos em Salvador, BA, momento em que sua obra ganhou e alcançou novo vigor poético. Deixou os filhos João, Vitória, Itamaraty, Jussara e Tarcila.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
ERA UMA VEZ . . .
Eu que
aqui vim pra ficar...
E estou
já quase partindo...
Onde será
que irei parar?...
Aflita assim?...
Me perseguindo?...
Meu pé
direito é só o que sinto.
Caibo incontida
dentro dele.
Toda perdida
dentro dele.
Toda encolhida
dentro dele
Toda batida
dentro dele.
Caibo correndo,
dentro dele.
Toda,
sofrendo, dentro dele.
Toda,
perdendo, dentro dele.
Toda,
morrendo, dentro dele.
Caibo caída
dentro dele.
Toda imovida
dentro dele.
Toda sem
vida dentro dele.
Toda morrida
dentro dele.
Era uma
vez um ser distinto
Da cor
incolor com que pinto
Estradas,
trilhas, labirintos
Onde perdeu-se
um ponto extinto.
Clotilde
Sampaio
Brotas, Salvador, BA,
06/maio/1986/ terça-feira.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
30-03-80 - PARABÉNS, SUZANO!!!
30-03-80 – domingo,
Monte Cristo, Suzano, SP.
Meia noite. Já está passando para o dia 31. Amanhã já será
abril. E abril este ano, para mim, virá com muitas boas perspectivas, uma delas
e a principal delas: quero Aoud, de qualquer jeito de volta para mim, até o fim
deste mês. Vou me deitar agora. Estou com uma afta de vários dias já, doendo
feito louca na minha boca. Estou lembrando Aoud e cantando “Onde você estiver
não se esqueça de mim, com quem você estiver não se esqueça de mim”. Penso que,
em relação à mulher dele, eu ainda sou bem jovem, tanto como quando eu tinha
vinte e dois e ele já tinha mais de trinta. A não ser, se ela tenha feito
alguma plástica, e tenha remoçado uns vinte anos. Aí a coisa é outra. No Tikusá
de hoje, faltou bastante gente mas também veio bastante. Faltou a Bitoca, que
disse que viria. Faltou a Nanci e a dona Maria da Paulista. Vieram Iraci, a
irmã de Helena com a própria, a Marinalva e os colegas de trabalho do João.
Estava bem animado apesar de não ter vindo nem a Sra. Seida e nem a Sra.
Yoshida como esperávamos. Vieram ao todo setenta e seis pessoas. O Ita foi no
Clube Poaense e só voltou no fim do Tikusá. A Vitória estava linda com o
vestido de listrinhas azuis e sem costas que eu lhe dei. Me ajudou bastante
hoje. Limpou toda a sala, levou a areia, encerou o oratório... O João fez um
belo shiki com a canção da Paz Mundial. A Jussara serelepe só participou da 2å
parte. Está chovendo agora e está uma delícia poder dormir com o barulho da
chuva escorrendo lá fora. Vitória está aqui deitada comigo, e eu estou pensando
em aproveitar estes feriados que vou ter a partir do dia 2, e dar uma pintada
na porta e janela do meu quarto. Estou pensando também em ir lá na Chic e
comprar umas cortinas. O Ita vai trabalhar na Papelão. Conseguiu realizar o seu
sonho. O João é que eu acho que está marcando passo lá no Tasaka. Consegui
fazer a música para Suzano. Agora, quero que seja publicada na Comarca. Saiu
até bem melhor que eu esperava. Queria mostrar para o seu Mário, mas tive
vergonha. Ela ficou assim:
PARABÉNS, SUZANO!!!
Hoje as ruas estão cheias de gente
Nos semblantes transborda a alegria
Nosso povo e povos adjacentes
Estão reunidos aqui neste dia
Há um enorme palanque de frente
Para a bela praça João Pessoa
Enfeitado está todo o ambiente
Altas autoridades presentes
Parabéns, pelos ares ecoa
A
cidade está toda imponente
Todos vibram cantando contentes
Fogos mil sobem e o céu ribomboa.
Parabéns minha linda Suzano
Estes são nossos votos profundos
Deus te faça ser em poucos anos
Um
destaque entre os grandes no mundo
Parabéns, parabéns, ó Suzano
São nossos desejos profundos
Que você seja em mais poucos anos
Uma grande potência no mundo.
Clotilde Sampaio
Segunda-feira, 31-03-80.
domingo, 3 de janeiro de 2016
FOGO FÁTUO
Surgiu, surgiu
Cresceu, cresceu
Subiu, subiu
Ardeu, ardeu
Brilhou, brilhou
E aconteceu!...
De repente
Descendo, desceu
De repente
Esfriando, esfriou
De repente
Desapareceu
De repente
Apagando, apagou.
De repente
Morrendo, morreu.
O anoitecer
Amanheceu
Vendo findar
Quem não se deu
Começo e fim
Que até foi meu
No amanhecer
Anoiteceu.
No anoitecer
Que amanheceu...
No amanhecer
Que anoiteceu.
Clotilde Sampaio
Brotas,
Salvador, Bahia, 29/05/1986, quinta-feira.
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