terça-feira, 21 de janeiro de 2020

CONFISSÃO

Talvez sejam a tristeza, o abandono,
Que me fazem ser essa triste, essa ninguém...
Pois tenho um coração vago e sem dono
Que anseia ser amado e amar também.

Mas como? Se um sincero e bem profundo
Amor, não quer me amar, nem ser meu bem.
Por isso eu vejo apenas neste mundo
A dor me afugentando para o além.

Nunca achei quem pudesse compreender-me
Nunca ninguém se interessou trazer-me
Um pouco de esperança. E gostaria

Que alguém olhasse dentro do meu ser
Ao menos um pouquinho; só pra ver
Que a Vida, esta que eu vivo, é fantasia.

        Clotilde Costa Sampaio,  São Paulo, maio, 1964.




18/09/90 - o que for, será


       Telefonei para o seu Lima vir, se ele não veio é porque o melhor mesmo é ele não vir.
       Se em nossa Audiência tudo aconteceu como aconteceu, era porque só tinha que ser daquele jeito e não de outro. Se eu estou aqui com o Ita e não lá na Bahia com o João e a Vitória, e nem lá em Suzano com a Jussara nem a Dinorá é porque é assim que precisa ser. 
       Se eu tiver que ir no Dr. Pedro e no Fórum falar com ambos, Dr. Pedro e o Juiz, é porque assim fui designada por Deus para que eu faça isso. Se não for é porque será melhor eu não ir.
       Se o meu livro tiver de ser publicado é porque terá que ser publicado. Se não for é porque é melhor mesmo que não seja. Se o Aoud tiver que voltar comigo, por ele mesmo, virá, se não tiver, não virá. Se eu tiver que ser alguém importante, por mim mesma, farei algo para o ser e serei. Se não tiver que ser, não serei. Não vou mais rezar nem para impedir que aconteçam coisas que poderiam (ao meu pequeno modo de enxergar) serem desagradáveis, como também não vou mais rezar para chamar nem favorecer tudo que (ao meu pequeno modo de enxergar) poderiam ser boas e agradáveis. O que for, será. E só enxergo agora no que tiver que ser novos aprendizados que eu preciso ter. 

                                      ClôSP, Mogi das Cruzes, Nova Mogi.  

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

AVALANCHE


Hás de sentir todo o calor fremente
Hás de assustar-se então, pois sei que nunca viste
Extravasado assim tão de repente
Tanto amor louco igual a este que te assiste

Então me chegarei a ti bem de mansinho
E bem junto aos teus ouvidos dir-te-ei com carinho:
- Não te assuste, meu bem. Não tenha medo.
Vou revelar-te todo o meu segredo.

Esta avalanche que te apanhou de surpresa
É o meu amor profundo. A minha proeza.
Há muito tempo prisioneiro sufocado,
Conservei-o no meu peito assim trancado.

Preferi antes que morresse insatisfeito
Do que por ninharias ser trocado.
Hoje portanto, sôfrego, sangrado
E até de amor já ter perdido o jeito

Ele encontrou de modo inesperado
Alguém que o fez vibrar intensamente
E eis que assim retorna novamente
A ser feliz como já o fora no passado.

E o coração que antes vivia amargurado
Só sabendo chorar à toda hora
Curtido na mais forte solidão

Volta a vibrar portanto, como outrora
Volta a viver de novo esperançado
Volta a ser novamente um coração.


                                 Clotilde Sampaio, SP, 1963. 

CURRÍCULO LITERÁRIO

Desde quando aos sete (7) anos, com meu querido pai, que foi meu primeiro Mestre, aprendi a ler, sempre gostei de ler tudo, principalmente Poesia! As quais eram encontradas, lidas e admiradas por mim, nos Livros de Leituras escolares e nas Revistas Infantis daquela época (1947-1954): “O Tico Tico” e “Sesinho”, revistas estas que eram compradas para mim, por meu pai, mensalmente nas bancas de jornais e que continham várias Poesias de vários autores: Vicente Guimarães, Olavo Bilac, Casimiro de Abreu, Francisca Júlia, Gonçalves Dias, Bastos Tigre e eteceteras, e no jornal diário de meu pai “A Gazeta”, dos sábados, vinha a página literária que eu nunca deixei de ler, e foi por ela que, entre tantos outros, eu conheci “Fanatismo”, de Florbela Espanca e me apaixonei por ele, e por ela. E sempre, de tudo o que eu lia, a minha preferida, em primeiro lugar, era a Poesia. Eu sempre achei a Poesia algo celestial, divina, e seus autores, deuses, pessoas não terrenas como nós, mas excepcionais, sobrenaturais, transcendentais, de mundos superiores, de outras galáxias: - Como podem escrever assim? Diferente? Sentirem e falarem, sobre o que não está aqui, à nossa vista?  E ficava o tempo todo, me indagando sobre isso. Nunca pensei, nem nunca me imaginei, que um dia pudesse fazer o que os seres especiais, extraordinários, extraterrestres, os POETAS, só eles, eram capazes de fazer: A POESIA! Se tivesse tido a capacidade de pensar como hoje, primeiro ia perguntar: - Imagina, quem era eu, para tal, e tanto privilégio?

E nisso, às vezes eu me pegava sentindo-me diferente do normal: algo me elevava o corpo, a cabeça, que se enchiam de algo indefinido, parecia ser um vento, um ar, algo, mas o quê? Eu ficava por algum tempo. Hora? Minutos? Segundos? Assim. E issos se iam embora. Só depois que eu também comecei a escrever, é que vi, que todos foram pessoas normais, mas com ligações ao transcendental, ou seja, ajudados por Ele. Muitas vezes isso aconteceu sem eu pensar, nem procurar, nem buscar nada. Até que uma noite, quando eu estava com 23 anos, ACONTECEU!!! Eu estava deitada, já pra dormir e o sono já se instalando, quando algo muito forte me despertou, me fez pular da cama, e ir em busca de um papel e caneta, e fiquei a passar para o papel destrambelhadamente tudo o que, sem esperar ou estar preparada, me vinham à mente; eram turbilhões infinitos de ideias diferentes e ao mesmo tempo, que desarvorada, assustada, desatinada, eu era obrigada a passar para o papel. Quando parou, e parei, que olhei já mais calma para esse papel, assombrada, vi e li: nele estava um Poema! O meu primeiro Poema! A quem dei o nome AVALANCHE. A segunda vez que isso se deu, foi um soneto: SOLIDÃO. Lógico, que não perfeitos ou completos. Seguiram-se outros, e todos vêm quando têm que vir, da mesma forma e do mesmo jeito, por eles mesmos, e como são, ou querem ser: se poemas, se sonetos, se com rimas, se livres, eles é que sabem de sis mesmos, como querem vir, e como se-me-lhes apresentam. Eu não interfiro em nada. Apenas os gravo e, se preciso, os corrijo. 

Já devo ter escrito no mínimo três livros com 36 poemas e sonetos cada um. E mais um especial, que é um livro de um muito longo POEMA de Amor, que se chama ABERRAÇÕES. Por falta de recursos monetários de minha parte, nunca os publiquei. Também não tenho pressa. Um dia, mais cedo ou mais tarde, serão?... publicados. A minha parte, a minha obrigação, eu já fiz, e faço: escrevi-os, e escrevo-os, com todo o amor possível. A outra parte, a da edição e publicação, não é minha. – Serão?... = Todos ganharão. Ou, não?... = Todos perderão. Disto, pela minha ótica, eu tenho certeza. 

                                           Clotildes Costasampaio 

                              Suzano, Monte Cristo, 12/06/07. 
                         

CANSADA

Estou cansada.
Estou muito cansada.
Tenho estado muito cansada.
E isto, não é só agora.
Nem hoje, nem ontem.
Faz muito tempo já.
Causa de um ano, ou mais.
Que eu não aguento
De estar sempre, muito
E tão muito, muito, cansada.

Canseira emocional
Canseira mental
Canseira física
Canseira membral
Canseira orgânica
Canseira hormonal
Canseira sanguínea
Canseira espiritual
Só não sexual.

                                     Suzano, Monte Cristo, 18/11/06, sábado, 8:45 h.


Estou muito cansada
Para a minha idade
E não é preguiça
É verídica.

                                    Suzano, Monte Cristo, 24/11/06, sexta-feira.


28/06/2006

Quarta-feira. hoje, das 13 às 17 horas, fiz algo inédito! lavei as louças e as panelas sujas de vários dias, e o fogão sujo de vários meses, tudo, completamente e com maior zêlo! Brilhei as panelas e limpei pormenorizadamente o fogão! Graças a Deus, que hoje, finalmente, milagrosamente, eu tive disposição para tanto!! Muito obrigada de todo coração Sras. Deusas, Reik, Sra. Suprema Deusa, Gohonzon e Sr. Meu Deus Supremo!
                                      Clô

sábado, 11 de janeiro de 2020

QUALQUER COISA


Você não.
Você nunca mais na minha vida.
Já te matei
E já me matei.
Aliás, para que eu te pudesse matar
Foi preciso que eu me matasse primeiro.
E aquela que morria por você
Aquela que morreu por você
Nada mais tem que ver
Com esta que está aqui agora.
Bem viva, bem feliz...
Que nada quer com você jamais.
E que sou eu.
E que estou tão completa.
Tão segura de mim.
Que não preciso e nem pretendo
Mais ninguém na minha vida.
Tenho oito amores especiais
Três homens e cinco mulheres.
Ou sejam: dois filhos, um neto, três filhas e duas netas.
E a humanidade inteira 
Para eu amar, amar, amar
Até não poder mais.
Por isso estou repleta.
Sem vaga para nenhum aventureiro.

Mas, se de tudo,
Ainda eu for obrigada
A ter que arranjar um homem
Tenha a mais absoluta certeza
De que não será você.
Arranjo qualquer outro homem
Inda que seja “um qualquer coisa”
Menos você.
Pois qualquer coisa
Ainda é bem melhor do que você.


        Clotilde Sampaiosem data (entre 1990 e 1991).

Uma opção

          Uma opção. Só por opção minha, pessoal, particular, é que, mesmo não tendo Aoud todos os dias, eu quero amar só ele até o fim da minha vida. 
          Não tenho a menor vontade de arranjar outro homem que não seja ele. Só ele preenche todos os  requisitos para ser o meu ideal. Não que ele em si seja extraordinário. Talvez para outras mulheres seja até mesmo medíocre. Como homem, só tamanho e vazio, pra mim, mesma, se fosse outro homem que me tratasse com a metade do descaso com que ele me trata, não teria o mínimo valor. Mas como é ele, nossa! E um Deus! Eu não o amo pelo que ele tem materialmente falando. Mas, é com relação ao seu espírito, deve ser alguma coisa relacionada com outras vidas passadas que eu o amo e como o amo!

            Clotilde Sampaio, (sem data, provavelmente em Poá, SP, entre 1982 e 1983.)