Talvez sejam a tristeza, o abandono,
Que me fazem ser essa triste, essa ninguém...
Pois tenho um coração vago e sem dono
Que anseia ser amado e amar também.
Mas como? Se um sincero e bem profundo
Amor, não quer me amar, nem ser meu bem.
Por isso eu vejo apenas neste mundo
A dor me afugentando para o além.
Nunca achei quem pudesse compreender-me
Nunca ninguém se interessou trazer-me
Um pouco de esperança. E gostaria
Que alguém olhasse dentro do meu ser
Ao menos um pouquinho; só pra ver
Que a Vida, esta que eu vivo, é fantasia.
Clotilde Costa Sampaio, São Paulo, maio, 1964.
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