terça-feira, 21 de janeiro de 2020

CONFISSÃO

Talvez sejam a tristeza, o abandono,
Que me fazem ser essa triste, essa ninguém...
Pois tenho um coração vago e sem dono
Que anseia ser amado e amar também.

Mas como? Se um sincero e bem profundo
Amor, não quer me amar, nem ser meu bem.
Por isso eu vejo apenas neste mundo
A dor me afugentando para o além.

Nunca achei quem pudesse compreender-me
Nunca ninguém se interessou trazer-me
Um pouco de esperança. E gostaria

Que alguém olhasse dentro do meu ser
Ao menos um pouquinho; só pra ver
Que a Vida, esta que eu vivo, é fantasia.

        Clotilde Costa Sampaio,  São Paulo, maio, 1964.




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