sábado, 15 de novembro de 2014

SUJEIRAS

        
                                  para Aoud Id

Dez e quarenta... Iníqua terça-feira!...
Recaio. E telefono para Auade.
“- Já não está. Se foi para a cidade.
Hoje? Não volta mais. Pois, costumeira-

Mente, sempre ele passa lá por toda a tarde.”
E eu me lembrei das outras terças-feiras...
Às tardes...! Quando ele vinha pra cidade
Somente pra passá-las à minha beira...

Deixa pra lá! Pra quê lembrar besteiras
Que já passaram? E, se pra mim passaram,
Pra ele, não! E, por mais que ele fuja

Mais se enlameiam em suas lameiras.
Pois, do encontrar de um sujo com uma suja
Que poderão fazer, senão, sujeiras?

               Clotilde Sampaio

                                        Poá, SP, 1984.

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