sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Sábado, Suzano, frio, agosto de 1980.

1:10 da manhã de domingo, já 24 de agosto. (Faz 26 anos da morte do presidente Getúlio Vargas). Você saía no sábado, varava a noite, entrava no prédio, penetrava no nosso apartamento, penetrava no nosso quarto, penetrava no meu corpo, entrava no meu coração e descambava, bem acomodado no mais profundo de minha alma. Bem a essas mesmas horas: 1:10 da manhã. Me dá só um pouquinho de você pra mim. Me dá, bem? Me dá, sim? Tanto os anos passaram entre nós, que eu já sou pra você uma desconhecida. Portanto te sou uma novidade. Venha conhecer-me de novo, sim? Tomei, à pouco, um meio banho de imersão bem quente, só pra me lembrar bem, bem, bem, você. E como me lembrei de você, poxa!
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Já são meia hora do dia 26-08-80, terça-feira, e eu estou na metade de um Prestígio porque a outra metade eu acabei de dar agorinha mesmo, para o Ita. Gosto de comer Prestígio. É o único chocolate que me traz de volta ao passado. Aquele lindo e inesquecível passado onde Aoud, dia sim, dia não, dizia presente na minha vida, e sempre trazendo chocolates! Prestígios, Sonhos de Valsa, Lakajus, Ouros Brancos e Diamantes Negros.
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Aoud, você não me tolera, você não vive comigo, mas eu não quero que você morra. Deus me livre, nem quero pensar nisso. Sei que isso é fatal, que ninguém fica pra semente. Mas de nós todos, isto é, de nós seis, eu quero ser a primeira a partir.
Como eu te amo, amor, como eu te amo!

Por um acaso, o acaso me fez olhar para o meu lado direito e ver: em meio à multidão, mas, bem destacado da multidão, um enorme e másculo vulto, que também por sua vez, me olhava. E como me olhava! Aliás, só me olhava.

                                                                                                            Clô

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