1:10 da manhã de domingo, já 24 de agosto. (Faz 26 anos da
morte do presidente Getúlio Vargas). Você saía no sábado, varava a noite,
entrava no prédio, penetrava no nosso apartamento, penetrava no nosso quarto,
penetrava no meu corpo, entrava no meu coração e descambava, bem acomodado no
mais profundo de minha alma. Bem a essas mesmas horas: 1:10 da manhã. Me dá só
um pouquinho de você pra mim. Me dá, bem? Me dá, sim? Tanto os anos passaram entre
nós, que eu já sou pra você uma desconhecida. Portanto te sou uma novidade.
Venha conhecer-me de novo, sim? Tomei, à pouco, um meio banho de imersão bem
quente, só pra me lembrar bem, bem, bem, você. E como me lembrei de você, poxa!
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Já são meia hora do dia 26-08-80, terça-feira, e eu estou na
metade de um Prestígio porque a outra metade eu acabei de dar agorinha mesmo,
para o Ita. Gosto de comer Prestígio. É o único chocolate que me traz de volta
ao passado. Aquele lindo e inesquecível passado onde Aoud, dia sim, dia não,
dizia presente na minha vida, e sempre trazendo chocolates! Prestígios, Sonhos
de Valsa, Lakajus, Ouros Brancos e Diamantes Negros.
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Aoud, você não me tolera, você não vive comigo, mas eu não
quero que você morra. Deus me livre, nem quero pensar nisso. Sei que isso é
fatal, que ninguém fica pra semente. Mas de nós todos, isto é, de nós seis, eu
quero ser a primeira a partir.
Como eu te amo, amor, como eu te amo!
Por um acaso, o acaso me fez olhar para o meu lado direito e
ver: em meio à multidão, mas, bem destacado da multidão, um enorme e másculo
vulto, que também por sua vez, me olhava. E como me olhava! Aliás, só me
olhava.
Clô
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