sábado, 22 de novembro de 2014

A... SÓ

        
Trago-te todo, ainda em minhas mãos!
Tenho-te todo, aqui, nas minhas mãos!
É só querer...
Quer ver?

Basta estalar
Dois só dos meus dedinhos
E te chamar:
“Vem, vem, meu cachorrinho!”
Que num instante,
Rosnando contente,
Fazes-me festas!
Pulando em minha frente!
E olhas-me terno,
Com amor... Com carinho...
E lambes minhas mãos!
E esfregas-me o focinho!
(Parece que sorris!
Parece até que falas!
Mas de tanta emoção
Humildemente calas).
Feliz! Feliz!
Mansinho! Mansinho!
Rebaixando-te e às orelhas,
Reacenando o rabinho.

Só que eu não quero.
Te deixo onde estás.
O teu lugar é aí.
Com as, e os mais.
Aqui, é o meu Totó.
E eu não saio mais do meu, Totó,
E nem te quero mais no meu!
Viu, Totó?...

Roa os teus ossos
No teu fundo de quintal...

- Cabe uma só
No lugar só, do pedestal.

            Clotilde Sampaio

                                                  Nova Mogi, 03/06/88
              quinta-feira – 10:15 horas





Nenhum comentário:

Postar um comentário