Já nem me importo mais, amor
Também pudera!
Quando quiseres vir,
Estarei sempre à tua espera.
A qualquer hora,
Seja noite ou seja dia,
Sorrindo de prazer,
Chorando de alegria,
Hás de encontrar-me,
Ao descerrar para ti a porta,
Louca de ansiedade
E de saudades quase morta.
Cá sempre hei de ficar,
Todinha, inteira, ao teu dispor
A mendigar faminta
Uma migalha desse amor
Que tu dizes ser meu;
Jesus! Quanta ironia!
Se para dá-lo a mim
Só sabes vir de correria,
Se nada fazes mais
Que me trazer restos apenas.
Quando, a viver sem ele,
Tanto tempo me condenas.
Se me relegas sempre
Ao abandono, ao esquecimento,
Entre róseas e azuis
Paredes deste apartamento,
Se me esqueces de regar,
Com teu olhar, a parasita
Que morre quando vais
Mas quando voltas... ressuscita!
Se quando vens a mim,
Sem dar-me a mínima importância,
Deixas teus pensamentos
Além, quilômetros de distância.
Como ele é meu?
Se tu me dás dele tão pouco?
Se a tudo que eu te peço
Fazes teu olfato mouco?
Como ele é meu?
Se nem te agrada ver sequer
Às vezes satisfeitos
Meus anseios de mulher?
Se te desgosta sempre
Dar-me um pouco de prazer,
Se nada há que te importa
No meu modo de viver?
Amor, por tudo isto,
Eu te desculpo; muito embora
Haja outras coisas,
Que eu não vou dizer agora.
Já falei muito.
E me perdoe se houve ofensa.
Chega-te a mim
Que eu te darei a recompensa...
. . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . Oh! Amor, embora
tarde,
Vejo agora, reconheço:
Te ofendi tanto, Deus do céu!
Eu não mereço o teu perdão
Pois só agora, infelizmente,
compreendi:
Fui egoísta, quis demais e me
esqueci:
-
Tu que me ouviste cabisbaixo, mudo e triste,
Deste-me tudo, e nada em troca
pediste.
Clotilde Sampaio
1965 – Brás - SP
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