Aquele beijo teu,
Querido,
(Que puseste em meu rosto
Receoso a tremer
Ansioso e comovido)
Não olvidei jamais.
E, se tenho desgosto,
Lembro-me do teu beijo
E o resto é esquecido.
O outro beijo ardente
(Que em meus lábios deixaste)
Guardo-o discretamente
Como sei que o guardaste.
E, se a vida me rouba
Afagos e ternuras,
Forçando-me a sorver
As taças de amarguras
Não me ponho a clamar
Em ânsias de desejos.
Recordo-me de ti
E esqueço as desventuras
Relembrando a doçura
Dos teus beijos.
CLOTILDE SAMPAIO – 1963 (?)
*(Poema encontrado em março de 2022, no acervo da autora. Data incerta, mas bem provável de ser da primeira safra pelo fato de estar datilografado no verso de um papel oficial do local onde trabalhava. Alteração de formato feita pela filha Vitória Régia em 16/05/2022).
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