1)Meu querido Átila Richard. Quando soube que você já existia e que já estava vindo, quanto eu fiquei contente! E nesse então, você já estava com seis semanas de vida intrauterina. Planejei tanta coisa! E já estava até me preparando para começar a fazer o seu enxovalzinho. E só não comecei a confeccionar-lhe a 1ª camisinha com o morim que já tinha, porque queria dispor de mais tempo, para dedicar-lhe mais perfeição e capricho e, para isso, já tinha até imaginado o melhor e mais belo modelo. E estava também aguardando um tempo melhor que seria após o lançamento do meu livro para compor-lhe os casaquinhos de lã, em tricô, cujos modelinhos estão na revista que comprei para tomar aulas de tricotear exclusivamente em sua homenagem e para você. Havia tantos projetos para quando você nascesse. Tantas boas perspectivas para com a sua vinda! Eu pensava em você tão lindo! Forte, saudável, alegre, feliz, moreninho, parecidíssimo com seu avô e com o seu pai. Pena, que você desistiu de tudo isso e, quando parecia tudo estar tão bem, você, com apenas mais quatro semanas, se foi, deixando-nos no seu lugar apenas este grande vazio no qual estamos todos mergulhados, tristes e a nos perguntar: Por que? Será que você já veio com o destino de não ficar? Ou será que, houve alguma razão externa que o impediu de aqui permanecer? Você meu querido e quinto neto, que deveria ser aquele garotão, nem mesmo chegou a feto, e se foi de nós ainda só como embrião. Que mistério te trouxe até nós? E que mistério te levou de nós? É, Átila Richard, tínhamos tantas esperanças em você, cultivamos tantos sonhos por você e, de repente, com você, tudo se foi por água abaixo. E agora já não podemos mais ter a felicidade de poder sabê-lo e tê-lo protejidinho dentro do útero da sua mamãe, a cada dia e a cada hora, e a cada semana, e a cada mês, crescendo e se desenvolvendo cada vez mais, e mostrando-se a nós através do volume da barriga da Vitória e demonstrando-nos a sua força de vida, a sua vontade de viver, a sua vivacidade, a sua personalidade através das peripécias dos seus primeiros e cada vez mais ousados movimentos. Ah! Átila, como seria tão sublime podermos contemplar os mistérios de Deus, os mistérios da vida, o mistério de uma nova vida, o mistério da sua vida nos seus movimentos e ponta pés intrauterinos, mas, visíveis e palpáveis por fora! Este ano de 92 passou a ser um ano muito, muito importante para mim, a partir do instante em que eu soube que era neste ano, que você iria chegar. Mas agora, já deixou de ter toda aquela importância porque, por mais coisas também interessantes que aconteçam, o seu nascimento, que seria entre tudo e sobre tudo, o evento, e o momento mais importante, já não vai acontecer mais. Você, seria o nosso maior presente, o nosso maior prêmio, o máximo coroamento da nossa alegria e da nossa felicidade. Sentir aquela emoção de olhar seu rostinho pela primeira vez, e ver com quem é que você iria se parecer mais, pegá-lo no colo, tão pequenininho, tão frágil e, ao mesmo tempo, tão majestoso, tão senhor de si e de todos nós impondo-nos com o seu chorinho e com toda a imponência e potência da sua fragilidade, as suas mais mínimas e maiores exigências e cuidados. Bastando um chorinho seu para a gente entender e se mobilizar para atendê-lo: o neném quer mamar! O neném fez xixi! O neném fez cocô! O neném quer trocar a fraldinha! O neném quer tomar banho! O neném que tomar chazinho! O neném vomitou! O neném está com dor de barriga! O neném quer a chupetinha! O neném precisa trocar a roupinha! O neném está querendo colinho! Só que você, renunciou e desistiu de tudo isso, Átila. Por que?
Clô
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