O taxidermista João
Pinho carregando um boi e duas cabras empalhadas. Certeza com críticas à
situação e à política. Mortalhas apropriadas sem trio elétrico. Tocando seus
próprios instrumentos no comecinho da Av. Sete, após o relógio de São Pedro.
TRIO CAMALEÃO, um pouco
à frente na Av. Sete, indo para o relógio de São Pedro, tocando músicas de
Moraes Moreira: “no carnaval todo mundo quer, todo mundo quer, todo mundo quer,
ser o que é, homem ou mulher”. Toda a avenida já cheia. Em alguns trechos,
difícil de ser transitada. Outro homem gigante. Cada homem gigantesco aqui na
Bahia. No Largo da Piedade onde está o trio TRAZ-OS-MONTES tocando “Pererê
pererê pererê” de Gal Costa. São 15 horas pelo relógio da Secretaria de
Segurança Pública. Está uma delícia aqui no banco onde estou sentada. Agora o
TRAZ-OS-MONTES toca “Eva venenosa”. “Venenosa êêêêê Eva venenosa êêê/ é pior do
que cobra cascavel/ seu veneno é cruel…”. E eu me lembro da Jussara cantando
isso pra mim sempre que eu lhe dava bronca.
A Praça da Piedade toda
tomada por barracas e mesas e cadeiras. Um ambiente gostoso, sem violência. O
baiano sabe viver e se divertir. Outro trio, o BRILHAÊ, chegando no Relógio de
São Pedro. BEIJO é o trio que vem vindo depois do Relógio de São Pedro. Chego
com muito custo aqui na Praça Castro Alves, enfim repleta e com o trio SKULAXO.
Aqui na rua Chile, o trio CHEIRO DE AMOR vem voltando da Praça Municipal. Trio
TRAZ A MASSA aqui na Praça Municipal. Será este o do CHICLETE COM BANANA? O som
dele é lindo. Limpinho. Arquibancadas da Praça Municipal vazias. Um monstrengo
vazio só para atrapalhar. Já passam das 16 horas. É este mesmo o CHICLETE COM
BANANA tão famoso, tocando “Ai, minha mãe/ minha mãe Menininha” e cantando “que
bloco é esse, nega/ que traz esse axé/ é tão bonito, nega/ diz como é que é”.
Aqui na Praça Municipal, a praça inteira bate palmas. Eu, que estou aqui numa
barraca em frente à Casa do Thomé de Souza, tomo uma Coca enquanto ouço o trio
TRAZ A MASSA com a Banda CHICLETE COM BANANA. Arquibancadas, uma vergonha de
tão vazias. Todo mundo calmo, alegre, sem violência. E o trio continua atacando
de novo: “Ai, minha mãe/ minha mãe Menininha/ Ai, minha mãe/ Menininha do
Gantuá”, com um som maravilhoso e mais músicas do candomblé. Agora é o Hino da
Bahia, em homenagem ao compositor Sosígenes Costa, que faleceu há poucos dias e
que o compôs. Aqui atrás, vindo da Praça da Sé, na rua da Misericórdia é o trio
VERÃO TROPICAL. Enquanto o CHICLETE COM BANANA toca a música que parece ser do
Raimundo Sodré “olé, olé olé, olé, olé” e “No infinito”, VERÃO TROPICAL também
com um som lindo tocando “oi, tum tum/ bate coração/ oi tum/ coração pode
bater” da Elba Ramalho.
Rua da Misericórdia e o
bloco AMIGOS DA FOLHAGEM, todos vestidos de folhagens e de réstias de cebola e
de alho. A Praça da Sé também cheia e também com um trio pequeno mas bom: o
METALÚRGICA CANTO DA CRUZ, dos Blocos AMIGOS DO PAPAGAIO e AFOXÉ BADAUÊ. Lá,
embaixo do Elevador Lacerda, a maior calma. O mar calmo e azul infinito. O
baiano está com tudo e não está prosa. BLOCO DO PAPAGAIO na Praça Municipal
tocando e cantando “O beabá dos baianos/ beabá do Senhor do Bonfim”, de Elba
Ramalho. Amigos da Folhagem que encontrei na rua da Misericórdia, antes da Praça
da Sé, agora aqui na rua Chile. VERÃO TROPICAL ainda aqui, na descida da Rua
Chile para a Castro Alves. Eu, uma turista anônima, uma pessoa avulsa e só
cortando e recortando esta multidão cada vez maior, desde o Politeama até o
Terreiro, onde fui dar uma olhada no Pelourinho e que nem ousei descer a
Alfredo Brito por medo de algumas caras esquisitas que vi por lá. Vou de volta
devagarinho, em meio à multidão, devagarinho, curtindo a multidão, os trios, os
sons, de volta para casa até o Campo Grande, ver os FILHOS DE GANDHY. De lá
desço a Politeama da Baixo e volto a apreciar o resto do Carnaval de hoje pela
televisão, que está melhor que aqui. Isto, para quem só quer ver.
Clô
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