sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

AUTOBIOGRAFIA


Bem menos e menor que uma formiga
Analfabeta. Marginal. Indigente.
Sobretudo, AMIGA.
Embora tudo, gente.

Lá... Lá... Lá...
Nas senzalas-Casa-Grande-senzalas
Cafeicultores do Jaguaretê
Da pálida-tímida Santa Cruz do Rio Pardo
Vizinha do antes-então-té aqui
Rubrorizado e bem versátil Ourinhos,
(Entre brins... Algodões-crus... Gabardines... Opalas...
Morins... Chitinhas... Chitões... Não sei mais quê)
Começaram-me,
E...
Comecei... Começada!

Variados desvarios
Da desvairada Paulicéia
Sampaiaram-me...
E... (Também...)
Sampaiei... Desvairada!

Aqui!!!
Neste mítico e sagrado cenário
Do Largo do Pelourinho,
Pelo qual vivo! Moro! Morro!
(E de onde envio
para todos os porretas não me entendidos
Via, o que poesio,
Meus présmalcompreendidos
Ideoelogios,
Como a ser-lhes, esporros,)
Foi onde acabei acabando,
E é onde estou sendo... Acabada!

                     Cloty Sampahia


                       Salvador, 06/06/1989.

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