terça-feira, 6 de janeiro de 2015

31-03 a 02-04 de 1982 – 23:40 h – Suzano – quarta-feira

Depois de Deus, dos meus filhos e da minha dignidade, eu te amo acima de todas as outras coisas deste mundo.  E não consigo ver outro homem na minha vida, senão você. Meu querido Aoud, amor da minha vida, meu tudo e meu nada, minha paixão, minha loucura.    
                                                                           Clô

02-04-82 – 9:45 h – Suzano – sexta-feira
Hoje é o aniversário de Suzano. Minha cidade está fazendo 30 anos de administração política. O Maluf hoje estará aqui inaugurando várias obras, entre elas o Posto de Saúde vizinho ao Fórum e o Estádio Municipal de Futebol no Colorado. Disse que viria inaugurar também a av. Armando Salles. Mas isso, só se for no 02 de abril do ano que vem. A não ser que ele inaugure os buracos. Bem que eu duvidei que ela ficaria pronta para hoje. Mas nem sonha mesmo ficar pronta. É uma vergonha. Dois anos de buraqueira. O Estevão não está com nada mesmo. Nem palavra ele tem. Hoje é aniversário também do nosso telefone 476-1761. Está fazendo dois aninhos! – E é aniversário também da TV MULHER. Também dois aninhos! Parabéns, parabéns para nós! Enfim um viva a todos nós!
                                                                    Clô

02-04-82 – 10:00h
O Ita foi desfilar cedinho em Suzano. As meninas iam no aniversário da TV Mulher lá no Teatro Municipal de São Paulo, mas não foram. Estão assistindo pela televisão em casa mesmo. O João ficou de vir da Bahia hoje ou amanhã. Vai ficar uma semana aqui, para matar as saudades de casa. Eu ia com a turma no PTB, ver se arranjava um patrocinador para a minha campanha de vereadora. Mas não fui. Telefonei para o Aoud, e ele me animou, pedindo-me para ir firme, que o Jânio voltou mais forte do que nunca. O que tem desanimado a nós, novos políticos, é a vinculação de votos. Se isto permanecer, os nossos bons propósitos irão para as cucuias. O próprio Jânio declarou que, com vinculação, nem ele sai para governador.
                                                                                  Clô

02-04-82 – 18:20 h
São 18:10 horas, vou telefonar para Aoud. Só falta ele não estar lá. Quer ver como ele fechou mais cedo? Alá, o telefone está tocando e nada dele atender. Já tocou três vezes. Não está lá mesmo. Deve ter fechado às seis. Sem vergonha, foi embora e não me telefonou. Custa ele ligar pra cá? Desse jeito ele só me faz mais ruim. É, não adianta eu alimentar nenhuma esperança por ele mesmo. Mas o pior, é que eu alimento. Não sei viver a minha vida de nenhum outro jeito, senão pensando nele. E ele se esbalda. E ele se aproveita. Eu poderia ter feito tanta coisa na minha vida se não tivesse conhecido o Aoud. Mas desde os meus vinte e dois anos que a minha vida está presa a ele. E eu não tenho ânimo, incentivo, ênfase para fazer nada de proveitoso pra mim, só porque ele domina todos os meus pensamentos, e todos os meus movimentos e não movimentos.     Clô

02-04-82 – 21:45 h
O João acaba de telefonar que não vem. Não encontrou passagens. Só virá mesmo no fim do ano. É pena, meu filho. Não podemos matar as saudades agora. Sinto muito e mais ainda por você que está sozinho aí na Bahia, longe de casa e de nós, sua mãe e irmãos, e sofrendo horrores de saudades. Mas, em julho, pretendemos ir aí, e você matará então as saudades que tem de todo mundo.  O importante é que você esteja com tudo muito bem em sua vida, e esteja esperançoso, animado, radiante e feliz. E que você vença, um por um, todos os obstáculos e se transforme num valoroso e admirável homem. O pior você já passou que foram os primeiros dias sem amigos e sem adaptação. Agora, com as amizades que você já tem e com a Ari, tudo fica bem mais fácil. E mais ainda porque você tem o Gohonzon. Beijos.

                                           Clô

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