XVII – 28/01/86 – terça-feira – Jardim Monte Cristo – Suzano – SP
1) QUE ME IMPORTA? À Aoud Id em 27/12/63. (Reescrito integralmente).
2) À TUA ESPERA. (Reescrito integralmente).
3) NÃO VÊS? (Reescrito integralmente)
4) QUANDO A SAUDADE É DEMAIS... (Reescrito integralmente)
5) Já eram quase 13 horas quando eu lhe telefonei pela primeira vez:
- Oi, amor, como vai?
E você me respondeu:
- Tudo bem, me telefone à tarde.
- Que horas?
- Às cinco.
Fui tomar um pouco de sol e às cinco e dez, pelo meu relógio, estava de novo lhe telefonando:
- Oi, meu amor, e então?
- Me telefone às cinco e meia.
Fiz mais 20 minutos de Daimoku pelo Juzo enquanto tomava sol, completando assim, duas horas de Daimokus pra você. E às cinco e quarenta estava lhe telefonando. Só dava ocupado. De repente, consegui:
- Oi, meu amor, e então?
- O que você quer?
- Eu quero falar com você.
- Então vai falando.
- Pelo telefone? Não dá. Eu queria saber quando posso falar com você pessoalmente. É muita coisa que eu tenho pra dizer.
- Pessoalmente vai ser mais difícil e eu não sei quando vou poder. Vou ter que inventar uma historinha. Adiante pelo telefone. Do que se trata? Onde você está?
- Estou na minha casa. Mas quer dizer que a gente não vai poder nunca mais falar mais pessoalmente?
- Uma hora você telefona, a gente marca, eu dou um jeito e a gente se encontra. Mas enquanto isso, diga o que precisa por telefone mesmo.
- É sobre a Jussara.
- O que tem a Jussara?
- É que ela está querendo ir pra Bahia e neste ano ela termina o magistério e quer fazer o cursinho para o vestibular de medicina lá. E não quer ficar nem com o João nem com a Vitória. Aliás, a Vitória está agora na Europa.
- Puxa, está tão bem assim? Como mudou!
- Você acha que eu criei os meus filhos para serem qualquer coisa?
- E o que é que a Jussara precisa?
- Ela precisa de dinheiro para pagar o magistério, o cursinho que ela vai fazer, aluguel do apartamento que ela vai alugar e para se manter lá. E eu quero saber o que você pode fazer.
- Você vai também?
- Eu estou ainda dividida se eu devo ou não ir. A turma quer que eu participe da política mas eu não estou muito interessada. Política, pra mim, só a do Jânio. O resto é politicagem. E eu não quero me envolver. E a política do Jânio eu posso fazer em qualquer lugar que estiver.
- E o Ita vai pra lá também?
- O Ita vai agora no carnaval passar um mês lá. Mas não vai definitivamente por causa do emprego dele na Papelão e da Faculdade. Ele vai dar uma olhada pra ver se pode transferir o emprego pra lá pois, parece que tem uma filial da Papelão lá na Bahia. Mas, mesmo assim, acho que ele não vai poder ir por causa da Faculdade. E o que você acha? Devo ir ou não ir?
- Você deve ir.
- Então eu vou, pois a política do Jânio eu posso fazer em qualquer lugar que estiver.
- Você vê tudo o que vai precisar e me fale que eu vou ver o que é que eu posso fazer.
- É o que ela precisa porque ou ela estuda e não trabalha ou trabalha e não estuda não é isso?
- Tudo bem. Você me telefona.
Falou “tchau, um beijo”. Desligou.
O Ita acabou de chegar e eu contei-lhe:
- Acabei de falar com seu pai sobre a Jussara.
- E ele?
- Disse que vai ajudar só que eu precisei chamá-lo de “meu amor” e contar aquela mentira. Mas ele prometeu ajudar no que for preciso.
- Quer dizer que a consciência dele está doendo. Mãe, eu tenho certeza que, apesar de todos os pesares, de vez em quando a consciência dele dói. Ele lembra da gente e se arrepende do que nos fez. Ele perguntou de mim?
- Perguntou. Perguntou se você também ia pra Bahia. E eu disse que não.
- E a senhora vai?
- Agora vou. Ele disse que é melhor eu ir. E já que ele manda o dinheiro, não há por que se preocupar.
- E a Jussara será que vai?
- É lógico que vai. O que é melhor: ela fica na boa vida lá em Salvador indo na praia todo dia e sem trabalhar fora (só estudando) ou ficar aqui se ralando por micharias? Com o dinheiro do carro, o dinheiro do telefone mais o dinheiro que ele der a gente vive muito bem lá. Agora eu vou descansada. Agora eu estou realmente decidida a ir. Estou até mais leve. É tão bom quando a gente decide realmente o que deve fazer. A gente fica tão leve. Estou me sentindo tão leve, bem livre de toda aquela tensão. Agora eu sei que tudo vai dar certo.
- Será que a Jussara vai? Será que ela deixa o namorado pra ir?
- É lógico que deixa. Ela tem que pensar é no bem estar dela. Na vida dela, nos interesses dela. E não em namorado que não está com nada.
- A senhora deixaria o meu pai pelos interesses da senhora?
- Já deixei. Pela voz da minha consciência não há o que eu não deixe. Se eu fosse fazer só que ele queria eu não teria vocês.
Clô
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