sábado, 19 de julho de 2025

XX – 02/02/86

XX – 02/02/86 – domingo – Jardim Monte Cristo – Suzano – SP

 

01) Ontem à tarde Doca chegou e eu falei pra ele de Lilinha, que já havia mais de uma semana que ela não evacuava e que eu estava preocupadíssima com ela por isso. que já havia lhe dado um monte de Magnésia da Philips e nada havia resolvido. Ele queria levá-la ao médico. Disse-lhe que não precisava. Era só ir lá no Seu Moacir da farmácia de Calmon Viana, que ele era muito bom e muito entendido. E que eu confiava mais nele do que em certos médicos. Que várias vezes eu já o havia consultado por diferentes motivos e sempre o que ele receitava dava certo. Que se levasse no médico, além do tempo que a gente ia gastar, ainda o médico ia olhar pra Liliam de qualquer jeito e dar um monte de remédios que só iriam servir para intoxicá-la e às vezes, em vez de melhorar só poderia piorar a situação. Ele perguntou se eu ia junto com ele levar a Liliam lá. Disse-lhe que não precisava. Que era só ele contar como ela estava que ele daria o remédio. Ele se foi em seguida e trouxe três supositórios bem compridos e bem fininhos destes que eu ainda nunca havia visto igual. Disse que era pra colocar um daqueles naquele dia à tarde e, se não fizesse efeito, no domingo de manhã colocar outro. Bem depressinha tratei de colocá-lo na Liliam. Não foi fácil se colocado como os outros tradicionais que, além de menores, são mais macios. Estes eram duros, compridíssimos (uns quinze centímetros), supositórios de glicerina com um nome americano. Mas foi acabar de ser colocado e tiro e queda. Em menos de cinco minutos funcionou. E eu que pensei que era preciso primeiro que ele se derretesse todo para surgir o efeito. Lilinha fez uma baita e única pelotona de cocô bem duro que foi preciso eu quebrá-la toda em pedaços para poder jogar no banheiro e não entupi-lo. E o supositório estava todo fincado no meio do cocô, como foi posto, sem desgastar. Aí foi que eu vi que a Magnésia da Philips pra Lilinha só fez efeito de água, ou seja, não quis dizer nada. Só foi possível mesmo esse tão demorado, difícil, preocupante santo remédio, o supositório diferente.

 

2) Inventei de telefonar para o Rio, para Djacir, já passavam das 22 horas de sábado, para saber sobre o endereço da primeira esposa do Manoel e minha antecessora Dona Miriam que está morando agora aqui em São Paulo e que eu preciso visitá-la antes de ir pra Salvador. Foi Abadias quem me atendeu e tanto ele quanto eu ficamos contentes com a surpresa. Ele está no Rio de férias, vindo dos EEUU. Disse que não está com vontade nenhuma mais de voltar à América do Norte. E sim, está mais decidido a ficar aqui de novo e para sempre pois, conforme concordou comigo, Brasil é Brasil e não há país nenhum melhor do que o Brasil. Bastante simpático. Gostei dele. Pareceu-me bastante descontraído e simples. Pareceu-me (não sei se é) até melhor, mais simples que Djacir. Perguntou de Vitória, de todos e mandou abraço pra todos e nos convidou a todos para irmos visitá-los no Rio. Iremos sim, como não? E o mais depressa que puder. Tenho documentos que preciso mostrar a eles, sobre a mudança de nome do Manoel ainda na Paraíba.

 

3) Faz mais de duas semanas que eu não tomo banho. E olhe que estes dias (não hoje que choveu à tarde inteira) tem feito o maior calor que eu senti até hoje. Devo estar até fedendo. Mas não estou ainda com a menor vontade de tomar banho. Aliás, não tenho tido vontade ultimamente de fazer nada. Nem rezando estou e só tenho cuidado da Lilinha porque não tem outro jeito. Se eu não cuidar dela, ela não se cuida sozinha. Mas a casa, por exemplo, está aquela sujeira. 

 

                                                                                 Clô

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