1) Conhecer Maria Nunes Simões, a única irmã legítima, ou
seja, de pai e de mãe de Manoel, hoje pela manhã, foi outra emoção. Foi a
última grande emoção que eu não agüentei sem chorar, por mais que eu tentasse me
segurar. Me imaginei no lugar dela ou ao lado dela, revendo-a depois do
desespero de mais de trinta anos de ausência, de saudade e de desejo
incontrolável e insaciável de revê-la e abraçá-la. Tanto que ele falava dela e
de todos os familiares dele, de todos os seus amigos daqui e de toda esta
região que era a sua terra. Legítimos para mim são todos os seus familiares,
são todos os que o consideravam, que até hoje não o esqueceram e que me
consideram e me recebem bem, apesar da distância, do tempo e do espaço em que
tudo se passou, por consideração a ele, Manoel que, apesar de eu tê-lo visto
deitado, imóvel no caixão já há mais de vinte e cinco anos atrás, para mim não
morreu. Para mim está aqui, ainda bem vivo, ao meu lado. Com todo o seu sorriso
contagiante, com todas as suas falas e brincadeiras, espirituoso e inteligente.
Sempre falando na sua Emas, na sua Piancó, (que pena que desta vez eu não a
verei), na sua Itaporanga, na sua Patos, na sua Campina Grande, na sua João
Pessoa, na sua praia da Tambaú e em tantos outros lugares que agora não me
ocorrem, que também foram e eram seus. Ele me falava tanto de cada membro da
família por parte de pai, tanto da primeira família como da segunda, dos seus
irmãos, tanto da primeira como da segunda família, da mãe, Pivida, que nunca
lhe maltratou, que nunca lhe deu um tapa sequer, apesar de não ser sua mãe
legítima e, apesar de muitas vezes ele até ter feito por merecer, mãe Pivida
nunca lhe deu um tapa sequer, nem a ele nem a Maria, sua irmã.
2) “Solidão ai ai/ Solidão ai ai/ Solidão ai ai/ Solidão”.
Introdução de uma velha música de Adelino Moreira, cantada por Nelson
Gonçalves, que bem descreve o que aconteceu ontem conosco em Solidão,
cidadezinha próxima a Tabira, cuja virtude e fama se constitui por sua gruta
(artificial) onde abriga a imagem de Nossa Senhora não sei se das Graças, e
tida como milagrosa por todos e perigosa para Ivani que, após fazer o
sacrifício de subir todos os seus degraus, sentiu-se muito mal, a ponto de
imaginar que iria morrer. Seu coração acelerou e sua pressão baixou, tudo de
uma só vez, a ponto de Ivani perder toda a cor do seu rosto e de desmaiar.
Fiquei preocupada mas, ao mesmo tempo, pensando o mais positivamente possível e
rezando. Graças a Deus, Ivani, após os primeiros maus sintomas, começou a melhorar,
foi medicada, e já voltamos para Patos com ela bem mais reanimada.
Clô
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