quinta-feira, 5 de março de 2015

XX - 13/07/1986 – DOMINGO – TABIRA - PERNAMBUCO

1) Conhecer Maria Nunes Simões, a única irmã legítima, ou seja, de pai e de mãe de Manoel, hoje pela manhã, foi outra emoção. Foi a última grande emoção que eu não agüentei sem chorar, por mais que eu tentasse me segurar. Me imaginei no lugar dela ou ao lado dela, revendo-a depois do desespero de mais de trinta anos de ausência, de saudade e de desejo incontrolável e insaciável de revê-la e abraçá-la. Tanto que ele falava dela e de todos os familiares dele, de todos os seus amigos daqui e de toda esta região que era a sua terra. Legítimos para mim são todos os seus familiares, são todos os que o consideravam, que até hoje não o esqueceram e que me consideram e me recebem bem, apesar da distância, do tempo e do espaço em que tudo se passou, por consideração a ele, Manoel que, apesar de eu tê-lo visto deitado, imóvel no caixão já há mais de vinte e cinco anos atrás, para mim não morreu. Para mim está aqui, ainda bem vivo, ao meu lado. Com todo o seu sorriso contagiante, com todas as suas falas e brincadeiras, espirituoso e inteligente. Sempre falando na sua Emas, na sua Piancó, (que pena que desta vez eu não a verei), na sua Itaporanga, na sua Patos, na sua Campina Grande, na sua João Pessoa, na sua praia da Tambaú e em tantos outros lugares que agora não me ocorrem, que também foram e eram seus. Ele me falava tanto de cada membro da família por parte de pai, tanto da primeira família como da segunda, dos seus irmãos, tanto da primeira como da segunda família, da mãe, Pivida, que nunca lhe maltratou, que nunca lhe deu um tapa sequer, apesar de não ser sua mãe legítima e, apesar de muitas vezes ele até ter feito por merecer, mãe Pivida nunca lhe deu um tapa sequer, nem a ele nem a Maria, sua irmã.

2) “Solidão ai ai/ Solidão ai ai/ Solidão ai ai/ Solidão”. Introdução de uma velha música de Adelino Moreira, cantada por Nelson Gonçalves, que bem descreve o que aconteceu ontem conosco em Solidão, cidadezinha próxima a Tabira, cuja virtude e fama se constitui por sua gruta (artificial) onde abriga a imagem de Nossa Senhora não sei se das Graças, e tida como milagrosa por todos e perigosa para Ivani que, após fazer o sacrifício de subir todos os seus degraus, sentiu-se muito mal, a ponto de imaginar que iria morrer. Seu coração acelerou e sua pressão baixou, tudo de uma só vez, a ponto de Ivani perder toda a cor do seu rosto e de desmaiar. Fiquei preocupada mas, ao mesmo tempo, pensando o mais positivamente possível e rezando. Graças a Deus, Ivani, após os primeiros maus sintomas, começou a melhorar, foi medicada, e já voltamos para Patos com ela bem mais reanimada.
                                      Clô



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