domingo, 11 de outubro de 2015

E N T R A V E S

                                    Para o Sr. Domingues Nunes

Estou voltando para a minha casa
Lá da Bahia. – (A mais minha, das minhas.)
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...- Não. Tua casa, não é minha casa.
Falta um bocado... para ela ser minha:
Falta ela ter... uns aconchegos de asas,
Falta ela dar-me... uns ares de rainha.

(Por quanto pude observar... pressinto:
Nossos valores... como são distintos!
Eu sou curare... tu és... absinto.
Onde, um lugar, pra mim... no teu recinto?...)

Por isso, eu volto para a minha casa.
Lá, sim, eu sei que a casa é mesmo... – a MINHA !!!
Lá, sim, me sinto entre aconchegos de asas!...
Lá, sim, me espera um trono de rainha!...

(Lá, tenho as chaves para abrir as portas
Em quaisquer horas, sejam vivas... mortas...
E o que quiser, seja o que for... não importa.
E o que fizer, ninguém censura... ou corta.)

Ah! Se a tua casa fosse a minha casa!...
Não se oporiam à mim, tantos... Entraves.
Eu já teria em mãos, todas as chaves...
À sensação de – entrando, em cova... rasa.

Ah! Se os teus braços fossem duas asas
Reconfiáveis!... (da mais nobre ave.)
Eu não vazava mais, por tuas vazas.

Mas... cederia à este pecado grave:
(mesmo a sabê-lo, em compacta defasa...
sem ter qualquer água e sabão que... o lave.)

(...Só pra te dar minh’alma – sempre em brasas!...)
- Jogava ao léu... meus vôos... (de aeronave)
E não voltava mais – pras minhas... Casas.

               Clotilde Sampaio

            Nova Mogi, Mogi das Cruzes, SP, 09/01/1991.
                        Quarta-feira, 15:47 horas.






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