domingo, 29 de novembro de 2015

(. . . SEM BOLERO DE RAVEL ? . . . )


                Meu amor, mais atenção
Para a tua imitação
De comprador de consciências:
Pela tua imprevidência,
(Mas, que QI mais carente!)
Nem podes ser comparável
A certo presidenciável
Por demais inteligente.

Que, em defesa de sua meta
(Também por via indireta
E igual à tua: abjeta.)
Não usa intermediários
Nem contrata mercenários.
Mas, vai ele pessoalmente
Negociar diretamente
Tanto os VENDE-SE declarados
Quanto os “vende-se” camuflados.

E incontraditoriamente
Por seus meios té louváveis,
Compra tanto os agradáveis
Quanto os mais inconvenientes.

Visionário admirável!

Para os mais inarredáveis
Toca logo em seu piano
Um “bolero de ravel”!
E a excitar quem é quem
Para orgias inconfessáveis,
Descarrega em seu harém
Os que podem ser compráveis.

Mas há os que não têm preço.
Raríssimos. Mas, inda os há.
Os fiéis a seus começos:
Goiás!!! Bahia!!! Ceará!!!
Os que não se auto-anarquizam
Por dolos gratificantes
Nem por promessas de Céu.
Nem por cargos importantes
Nem por dinheiro a granel.
Que nem se sensibilizam
Com “boleros de ravel”.

E o alvo a esse hostil tropel
(E quem quiser que o contemple!)
Se faz surdo, cego, e mudo.
Mas prossegue. E indiferente,
Leva, até o fim, seu papel.
Mesmo a saber que nem sempre
Petro-dólares compram tudo.
- Com Bolero de Ravel!

E o nosso turco embrulhão
Mesmo a parecer o Cão
Em sua Torre de Babel
(Se não entrar pelo cano)
Poderá chegar no Céu!
E arrebatar o troféu
De melhor ator do ano
Pelo persuasor papel
De bailarina sem véus
Do Respeito ao Ser Humano.
- Com Boleros de Ravel!!!

E tu, meu turco embrulhão,
Quis me embrulhar e, embrulhado
Pela tua embrulhação,
Mesmo a seres o próprio Cão
Já não és mais Cão Pelado.
Perdido em tua Babel
Podes entrar pelo cano
Mas, jamais chegar no Céu.
(... Sem Bolero de Ravel?...)

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

...Sei. Não foi tua intenção.
Não foi tua pretenção.
Nem corresponde ao teu plano.
Mas, como consolação,
Estou te dando o troféu
De pior ator do ano
Por teu inútil papel
De dançarina do ventre
(...Sem Bolero de Ravel?...)
Na dança dos muitos véus
Que intercalaste entre
Teu desnaturado e insano
Desrespeito ao Ser Humano.

(...Sem Bolero de Ravel?...)

Sim.
Sem Bolero de Ravel.

Viu,
Seu Raléu Tabaréu Cascavél Réu ?


           Clotilde Sampaio

              Poá, São Paulo, SP, 19/08/1984.






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