Todos os meus amores
Um a um, se foram
Nas horas incertas.
Largando-me ao largo
Deixando-me ao longo
De estradas desertas.
Só e abandonada
Marchando, caminho.
Por este caminho
Que me traz de um nada
Pra dar-me (quem sabe?)
Talvez pra outro nada.
Trago o meu reflexo
De tudo despido.
Confuso e perplexo
Falando sem nexo
No espelho da vida.
Sinto-me castrada.
Reduzida ao esmo
De um não ser complexo.
Não tenho desejo
De nada. Nem mesmo
Sei mais o que é sexo.
Não quero ninguém.
Nem muito, nem pouco.
Nem tudo, nem nada.
Não. Não. Não. Não.
Naaaaaaaaaaaaaaaaaaaãão!...
Clotilde Sampaio
Monte Cristo, Suzano, SP, 1979.
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