quarta-feira, 25 de junho de 2025

XIV – 25/01/86

XIV – 25/01/86 – sábado – Jardim Monte Cristo – Suzano – SP

 

1) Dia do aniversário de São Paulo e dia do aniversário do Prefeito Jânio Quadros.

 

2) Acordei com uma dor de cabeça tremenda após sonhar um sonho todo muito louco que eu lembrava ao despertar mas, como não o pus na cabeça, se foi completamente. Resolvi que ia me encontrar com Antônio no Hotel Luz, Praça Júlio Mesquita. E fui. Fiquei contente ao revê-lo. Mas não foi aquela emoção de loucura que eu cheguei a ter por ele um dia lá na Bahia. Hotel luxuoso, bem confortável mesmo. Ele estava o mesmo. Evitou falar das coisas desagradáveis, como sempre ele foge. Também, e por isso mesmo, eu já não o considero tanto como antes. É só, ou até menos que amizade. Mas ele me ensinou a entender e a conviver com esse modo de viver que antes eu não sabia. Tivemos sexo só por (...). Senti-o apenas sexualmente sem aquele apego, sem aquela pretensão de posse, sem aquele egoísmo de antes. Talvez eu seja agora assim até com Aoud. Serei capaz de fazer sexo com ele só pelo sexo, sem nenhum interesse senão esse, sem aquele desejo, sem aquele apego, sem aquele amor, sem aquele ciúme, sem aquela possessão. Aprendi isso na Bahia com Antônio e com Jehová. E me senti tão bem comigo hoje. Me achei tão linda. Isto agora, no instante em que estou escrevendo. E também na hora que estava com Antônio. Após deixá-lo no aeroporto de Cumbica, outra Clotilde se incorporou em meu corpo. E eu vim pra casa depressiva, angustiada, sem motivação, sem objetivo nenhum de viver. Nem de lutar por ela. Estou sentindo que ultimamente sou duas pessoas ao mesmo tempo: uma completamente de bem com a vida, outra completamente contrária a ela. E tem sido uma luta conviver com as duas. Não sei qual delas vencerá no final. Torço para que seja a primeira, a otimista, a lutadora, a cheia de vida e de vontade de viver. Esta que estou encarnando agora neste momento às 2:40 horas da madrugada do dia 26/01/86, domingo.

 

3) Conversei, depois de trinta e dois anos ontem, sexta-feira, com Dona Maria Augusta Vicente, minha professora do 4º ano primário. Ela se lembrou de mim, disse que ainda tem o meu caderno de linguagens e que sempre, toda a vida, se lembrou de mim. Foi tanta emoção que até chorei. Aquilo sim que foi e que pode ser chamada de professora.

 

4) Conversei com Aoud também mas foi só decepção. Ele se mostrou frio, arredio. Pediu que lhe telefonasse a semana que vem para marcarmos encontro. Me pareceu triste e decepcionado com alguma coisa. Será que foi porque eu “fui pra Bahia” e não ter lhe telefonado de lá como ele pediu? Chamei-lhe de meu amor. Parece-me que ele ficou mais dócil. Vou continuar a chamá-lo assim. E o Gohonzon vai  ajudar que tudo vai voltar a mudar para o ideal entre nós. E ele será feliz e eu também. E os filhos só ganharão com isso. 

 

5) Ita foi para Bertioga contra a minha vontade. Está chovendo e a estrada para lá é muito perigosa. Foi onde, há poucos dias, faleceu o filho do João Gravé e mais três pessoas: o amigo e a namorada de não sei se dele, se do amigo. Fiquei de cara feia e ele me beijou e saiu dizendo para que eu não me preocupasse com ele. E saiu de Jipe. Só volta amanhã à noite. Como não me preocupar? 

                                                                                                                            Clô

 

                                                                                                                                                                                       

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