XXXIV- 19/02/86 – quarta-feira – Jardim Monte Cristo, Suzano, SP.
1) Amanhã, creio, será o último dia de trabalho da Jussara no Supermercado Guaió como caixa. Daqui pra frente recomeçaremos uma nova etapa da nossa vida. Em condições mais altas, mais folgadas, e melhores, condizentes com o nosso grande merecimento. E... Bahia! Lá vamos nós invadir sua praia.
2) Graças ao Gohonzon os banheiros foram desencantados ontem. Já passavam das 16:30 horas quando eu resolvi que deveria dar um jeito neles e que não deveria passar de ontem pois hoje eu teria que ir sem falta em Mogi pagar a conta do telefone e, para isso, precisaria tomar um bom banho ontem. E para este banho, antes, eu precisava limpar o banheiro e livrá-lo, pra nós, da imundície em que, de há muito, se encontrava. Estava de um jeito e com um mau cheiro insuportáveis. Ataquei primeiro pelas portas, vitrôs, azulejos, armários, pias e vasos sanitários e piso. Já passavam das nove e meia quando terminei. Dei banho na Lilinha, assisti televisão e tomei banho também. Agora sim. Que alívio! Não ficou muito bom pois o lavei de noite e só com aquela luzinha paupérrima. Mas ficou 99 por cento decente. Agora é atacar a cozinha. Talvez hoje não porque vou precisar sair. Mas, mesmo assim, o que havia demais sujo, limpei sim senhor. Eram coisas que, de tão sujas, eu nem tinha a coragem de começar. Mas o Gohonzon me deu ânimo, e que ânimo! O pior foi os banheiros. E hoje deu-me ânimo também para limpar o aparelho de som e o armário que lhe serve de base. Estavam horríveis, todos encardidos forrados de uma substância gordurosa com o pó da sujeira. Mas limpei-os assim como dei também uma limpeza mais ou menos no fogão, na geladeira, na pia e no armário embutido, e passei pano no chão. Ficou tudo mais ou menos limpo. E já me sinto melhor, mais leve. Só de pensar que não tenho mais essas coisas pra fazer tão já.
3) Que raiva! Ir em Mogi, só pra pagar o telefone, e não conseguir pagar. Fui ligar o carro, este não deu partida. E já eram três e meia. O jeito foi pegar a estradinha e ir embora. Estava no meio do caminho, vi passar um ônibus. Pensei “até chegar lá em cima, passe outro”. Talvez, na hora que eu cheguei na padaria pra pedir pro seu Antônio me trocar os cinquenta cruzeiros, tenha passado pois, quando cheguei no ponto, este estava sem ninguém. Senti-me a princípio calma pois, se o ônibus viesse logo, eu poderia chegar em Mogi folgada. Mas o ônibus demorou um tempão. Mais de meia hora. E eu cheguei, o banco estava fechado. Ainda insisti. Mas o porteiro deu, com simpatia, algumas desculpas, mas nada de deixar-me entrar. Eu agradeci-lhe pela gentileza e quis dar umas voltas em Mogi. Fui no Bombolinha, onde pedi um merengue, um sonho e uma coca. O merengue e a coca deliciosos. Mas o sonho, antes não sonhasse. De raiva, não paguei a coca. Fui comprar sapatos ou sandálias para mim. Não achei como gosto. Comprei uma amarelinha pra Lilinha por CR$ 39 mil e um chinelo Oceânico por CR$ 24 mil. Engraçadinho de plástico, mais barato que a Havaiana por 28 mil, pra mim usar em casa. Acho que valeu. Na volta, começou a chover. Pensei que fosse tomar uma bela chuva na hora de descer do ônibus. Mas não. Já havia passado e eu vim o mais que depressa amassando altos e grandes barros.
4) Alguém vai fazer pra você o que eu não pude fazer porque não quis. Mesmo que eu não possa ver, alguém vai dizer e eu vou saber.
5) Comecei a assistir o Chico Recarrey no Canal Livre da TV Bandeirantes, e nem o programa acaba nem eu pego no sono e já é tão tarde... Deve já passar das duas. Com essa já são três noites que eu não durmo direito. De repente, sinto que cochilei pois já havia acabado o Canal Livre sem eu ver e o Jornal também estava no fim. E a TV iria entrar fora do ar. Desliguei a televisão. E parece que dormi um pouco dessa vez, mas acordei com o braço doendo muito debaixo do meu corpo, de mau jeito. E me revirei, me revirei, procurando uma posição melhor. Consegui pegar no sono outra vez e acordei já eram quase oito horas com o corpo todo dolorido. Esse colchão fino sobre o chão é que está me quebrando. Parece colchão ortopédico que eu detesto. Mas será que faz bem mesmo? Ou faz mal?
Clô
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