Eu creio que para nós já não existe mais nenhuma possibilidade. Eu só não quero te odiar. Porque ódio faz mais mal ao que odeia, do que ao próprio odiado. Por isso eu procurei fazer as pazes e ficar de bem com você. Só. Pois, se o meu coração te ama, o meu amor próprio, a minha dignidade de mulher ferida, ofendida, humilhada, decepcionada, te repudia. E há uma guerra dentro de mim, do meu espírito contra o meu corpo, da minha mente contra o meu coração. Não posso dizer que desta água não mais beberei pois não quero correr o risco de ter de fazer o contrário. Pois é falar e pagar. Prefiro passar o resto dos meus dias completamente sozinha, a tê-lo de novo em minha vida. E no que depender de mim, ainda que este desprazer ameace acontecer de novo, eu vou tentar adiá-lo o mais possível, até o ponto em que esse adiamento possa alcançar a minha ou a sua morte, e essa ameaça deixe de existir justamente com o que, de nós dois se for primeiro.
Clotilde Sampaio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário