domingo, 30 de agosto de 2020

VERSOS ESPARSOS


E agora, eu não estou mais a mesma.
Mesmo porque
Foi o meu espírito quem envelheceu.

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Neste fundo do poço onde eu nasci
Onde, na ânsia de lutar pra sair,
Só arrastei mais gente ao fundo dele.

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Eu finjo que finjo pra viver.
E é no escuro que eu acho mais coragem.

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Será que inda tem jeito?
São tantas sujeiras entre tantas sujeiras
Gerando tantas sujeiras…

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Poeta quase todo mundo quer ser.
Mas bem poucos hoje o são.
Não os que realmente o são
Mas só os que não.
Os ricos.

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Qualquer besteira que um rico faz, é arte.
Qualquer arte que um pobre faz, é besteira.

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Nova República?
Só nome.
Novas Esperanças?
Só nome.
Mudanças?
Em quê?
Só novos nomes.
Novos engodos.
Tudo só novos nomes.
Novos engodos, novas formas.
De camuflar velhos engodos.

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                                                                           Clotilde Sampaio    08/10/85

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