terça-feira, 30 de dezembro de 2014

INDIFERENÇA

       
...(“E é sempre melhor o impreciso que embala,
      Do que o certo que basta,
      Porque o que basta acaba onde basta,
      E onde acaba não basta,”)...
                    FERNANDO PESSOA

Para Aoud Id

Vês... que eu não choro. Nem sequer, lamento.
Ao invés: canto, sorrio... – E até, me encanto!...
De ver que, ao menos no meu pensamento,
Morreu – o Alguém que eu quis, e, que amei tanto!

Não penses que isto em mim, é fingimento.
Não sei mostrar o inverso do que sinto.
Nem sei falsificar meus sentimentos.
Meus olhos, me desmentem, quando minto.

Mas... vou dizer-te, ao dar-te o adeus, agora,
Que eu hei de me lembrar... – (bem tarde, embora,
Forçada, por saudades doloridas...)

Do AMOR! – (Que hoje, começa a ser... passado.)
Do anseio, que existia ao nosso lado,
Nas horas que eu te dava – A MINHA VIDA!

                  Clotilde Sampaio

                          São Paulo, 1966.
                     

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