segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

NÃO VÊS ?

         
...(“... e nem vês a nova dor que trazes
          À dor antiga que doía tanto.”)
                       OLAVO BILAC

                       Para Aoud Id

Vieste atrás de quê, a mim agora?
Não vês, que nada mais posso te dar?
Não vês, que estou já para ir-me embora
Do estado em que existi... só por te amar?

Vieste, acaso, em busca de algum beijo?
De um abraço, talvez? De frases... loucas?
Não vês, que já não é do meu desejo
Sentir... colar de novo, as nossas bocas?

Não vês, que, no meu rosto estão bem claras
Só marcas de desilusões, e dor...
Acaso, não percebestes?... Não reparas?...

Não vês, que, o desespero me transporta
À tumba – mimo, do teu parca-amor?...
Porque... – bem mais, 
                           que os demais mortos...
      - eu já estou morta.

                             Clotilde Sampaio

                                     Brás, São Paulo, SP, 1965. 


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