...(“... e nem vês a nova dor
que trazes
À dor antiga
que doía tanto.”)
OLAVO BILAC
Para Aoud Id
Vieste atrás de quê, a mim agora?
Não vês, que nada mais posso te dar?
Não vês, que estou já para ir-me embora
Do estado em que existi... só por te amar?
Vieste, acaso, em busca de algum beijo?
De um abraço, talvez? De frases... loucas?
Não vês, que já não é do meu desejo
Sentir... colar de novo, as nossas bocas?
Não vês, que, no meu rosto estão bem claras
Só marcas de desilusões, e dor...
Acaso, não percebestes?... Não reparas?...
Não vês, que, o desespero me transporta
À tumba – mimo, do teu parca-amor?...
Porque... – bem mais,
que os demais mortos...
que os demais mortos...
- eu já estou morta.
Clotilde Sampaio
Brás, São Paulo, SP, 1965.
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