1) Angustiada com tudo. Desassossegada por tudo. Nada lhe está
bem. A vida, principalmente a sua, pior. Se pudesse correr, se pudesse fugir.
Mas para onde? Pensa vários lugares: Bahia... Paraíba... Aqui... Não. Não tem
lugar nenhum bom pra ela, nem aqui, nem em lugar qualquer. Pensa às vezes que
estaria bem lá na Bahia. Ao mesmo tempo já pensa ao contrario, já não tem mais
vontade nenhuma de ir, nem de estar em lugar nenhum. Nem aqui, nem lá, nem acolá. O lugar melhor para ela agora é morrer.
É não existir. É não ser. Mais ainda tem que fazer tanta coisa... Tem que
acompanhar e ganhar o processo de alimentos dos filhos, tem que ajudar a criar,
e ver crescer os netos, tem ainda que escrever e publicar O SEU LIVRO, tem que
fazer a sepultura do marido lá em Emas (na Paraíba), estas as principais. Fora
estas, quantas mais! Ainda não pode morrer. Mas quer morrer, precisa morrer.
Precisa voltar a se sentir bem. Precisa se reencontrar. E já que se perdeu aqui
e não se acha aqui na vida, quem sabe se reencontre lá na morte?
2) Ela quer ver cada vez mais largo e mais longe.
3) Dia bonito. De manhãs de abril mesmo! Que inspira muita
coisa boa! Uma apoteose!
4) Não sabe. Não sabe. Não sabe se volta. Não sabe se ainda
merece voltar pra Bahia. Talvez não. E ela achou mais que não. Ela acha mesmo
mais que não. Quem mandou? Quem mandou inventar-lhe defeitos da última vez?
Bahia é sagrada. É terra dos Deuses. Imune a toda e qualquer critica, a todo e
qualquer defeito. Pois os seus defeitos é que são as suas maiores virtudes. É
só saber enxergá-la bem. Bahia é para quem a merece, para quem tem o privilégio
de estar no máximo estado de graça de morar lá. E não para quem, como ela, está
ou regrediu para o mais inferior estado de vida que é o da crítica e da
calúnia.
5) Por falta de
cabeça
Que dó.
Pelo que vejo, vocês
Estão destinadas a sofrer
Bem para além do que
Normalmente deveriam sofrer.
Estão destinadas
A complicar e a recomplicar
O que não está, e o que já está complicado.
E tudo por que?
Por falta de visão,
Por falta de raciocínio.
Por falta de cabeça.
Tão jovens e tão velhas.
Que pena!
6) Pouca palavra para infinitos significados. E não muitas
palavras para nenhum significado.
Clô
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