segunda-feira, 20 de maio de 2024

04 12 85

LX – 04/12/85 – quarta - Jardim Monte Cristo, Suzano, SP.

 

1) Anteontem, dia 02/12, aniversário da Lilinha, 06 aninhos! Pena é que não fiz, nem comprei nenhum bolo pra ela. Mas dei-lhe, na hora de dormirmos, os seis puxõezinhos de orelhas nela, e cantei-lhe os “parabéns a você” acompanhados de “pique-pique”: e pra Lilinha nada! Tudo! Então como é que é: é pique, é ique, é pique pique pique, é hora, é hora, é hora, é hora é hora. Ra-tim-bum! Lilinha! Lilinha! Lilinha! Palmas! Ela só ria, sem entender nada, coitadinha. Mas Deus vai ajudar que agora ela vá sarar e ficar completamente boa, com o benzimento da mulher de Guararema e os banhos que ela receitou pra tomar: arruda, guiné, trança de alho e alecrim.

 

2) Quase duas horas da manhã de hoje e eu aqui sem ter sono, pensando no João lá no aeroporto de Cumbica, sem dormir e passando frio. Poderia ter passado mais esta noite aqui com a gente, mas o Ita telefonou de Mogi já quase dez horas. Bem tarde portanto e não insisti que ele fosse buscar o João. Mas bem que poderia ter ido. João talvez tenha ficado sem jeito de pedir isso. Mas no fundo era o que ele queria. Por isso telefonou pra cá. Pena eu ser tão tapada ao ponto de não saber ir levá-lo nem ir buscá-lo no aeroporto. Ou será pura negligência, ou relaxamento só de minha parte que me faz agir assim, achando tudo difícil, tudo impossível e com medo de arriscar, ousar fazer o que nunca fiz, por mais simples que seja? 

 

3) Nem sempre quem bate leva a melhor. Como nem sempre quem apanha leva a pior. 

 

4) O fato de eu não estar participando de reuniões ou dos eventos budistas, como antes, não quer dizer que eu seja menos ou mais budista. Apenas pratico a minha religião como acho que devo praticá-la: sem me comprometer com ninguém, sem puxar o saco de ninguém, sem me contradizer, sem me despersonalizar, sem me robotizar, sem deturpar os meus ideais.

 

5) É até bom que Bitoca (ex-vereadora de Suzano) e Cia me vejam e me julguem assim como estão me vendo e me julgando. Aliás quem é ela para me julgar? Nós não compartilhamos do mesmo pensamento. Ela é ela. E Eu sou Eu. Com muita honra, sem abaixar a cabeça pra ninguém. Que eu esteja esquecida, desanimada? Faz parte da imagem que quero expor. No fundo, e no fim, ela vai ver que não é nada disso. E que eu estou com força total. Uma força minha que não depende de ninguém, nem de qualquer rótulo religioso. Temos a mesma religião? Não. Não temos a mesma religião não. O budismo que eu entendo e pratico é um; e o que ela entende e pratica é outro. Embora tenha o mesmo rótulo, o conteúdo é diferente. Assim como a política que ela usa e defende é uma; e a que eu entendo e luto por ela é bem e muito outra.

 

6) Salvador, ou melhor, o Pelourinho, finalmente passou a Patrimônio Cultural da Humanidade. E vi toda a turma do IPAC, onde inclusive deveria estar Ari em torno de seu presidente Benito Sarno, festejando o grande evento. Fico feliz, feliz porque amo a Bahia e os baianos.

 

7) Doca veio me pedir o carro emprestado para ir até Suzano fazer compras e pagar impostos na prefeitura. Aleguei que iria sair também e que o carro não estava nada bom. Não gosto de emprestar o carro pra ninguém, do mesmo modo que não gosto de pegr no carro de ninguém. Nem no Jeep do Ita eu nunca mexi. E acho-o muito folgado. Eu, quando não tenho carro, sei muito bem andar por aí tudo a pé e carregando pesos. Por que ele não pode? Não lhe neguei. Mas ele, por ele mesmo, achou melhor não usar o carro. Antes assim.

 

8) E... Sujim sumiu. Eu é que não lhe irei atrás. Quem vai precisar de mim é ele. Portanto, ele é quem deve me procurar.

 

9) Achei João mais ligado aos colegas e amigos do que mesmo a mim e aos irmãos. E fez uma grande besteira: gastar mais de dois milhões só pra vir até aqui de avião. Pra quê? Ninguém o foi buscar no aeroporto assim como também ninguém o foi levar. Portanto, ninguém sabe se realmente ele veio ou não de avião. Deveria ter vindo de ônibus e gastado este dinheiro em outras coisas. É tão gostoso viajar de ônibus, fazer novas amizades, conhecer novas localidades e admirar belas paisagens. Faz uma limpeza mental que dá gosto. Avião não tem nenhuma graça. A não ser pra quem precisa realmente economizar tempo. Mas não compensa pagar tanto por tão poucas horas de vôo, pra ver só nuvens e só pelas mordomias do avião. Enfim, o dinheiro é dele. E quem manda nele agora é Ari. Por isso não lhe disse nada. Serviu para que ele conhecesse o novo aeroporto de Cumbica. Só. No fundo, sei que Ari também pensa como eu. Pois, do contrário, não teria ficado tão brava quando soube que João não iria chegar ontem, como o previsto, e sim só hoje de manhã, lá pelas dez horas mais ou menos. João, no fundo, é um menino grande ainda que sonha muito. E não pensa direito as coisas antes de fazer. Valia mais ele fazer mais economia. Para ele comprar e pagar com mais folga a prestação do apartamento e do carro Voyage que pretende comprar. Enfim, ele que sabe o que está fazendo. Mas que vale ganhar bastante se gasta bastante também? E sem real necessidade? Espero que tudo dê certo mesmo conforme ele planeja. Ou então que ele aprenda a lição através de mais esta experiência.

 

10) Preciso rezar bastante para que o Ita ganhe cada vez melhor. Cada vez mais. Afinal, eu e a Lilinha, dependemos dele. E eu ainda quero ir à Bahia até o primeiro aniversário da Lorena. E quero ir com batantes, boas e modernas roupas e sapatos. E quero morar em Itaquera ainda este ano. E já planejei que será em um apartamento daquele prédio de Itaquera. Quero morar pelo menos um ano lá. Preciso saber muito sobre a vida de Aoud. E, estando lá, ele vai ficar com a pulga atrás da orelha. E é isso que eu quero.

 

11) Lilinha entrou debaixo da cama pra dormir. E ronca. Vê se pode! Em vez de dormir sobre a cama, dorme no chão duro de debaixo da cama. Só ela mesmo, com a cabecinha dela, pra achar que isso é bom. Deixa eu tirá-la de lá para que ela durma mais confortavelmente, isto na minha concepção. Ou então desperta.  

 

12) Está um dia frio, chuvoso, cinzento, e sem graça, como eu também. Não fiz nada ainda hoje. A casa está de pernas pro ar. Nem rezei. E não estou nada bem nem disposta a fazer nada. Mas preciso fazer alguma coisa e vou me esforçar por fazer.

 

13) Ai! Não falei? É só por a Lilinha na cama, ajeitá-la, cobrir-lhe e ela despertar. Se ainda estivesse no chão duro, garanto que iria dormir por muito tempo. Como não, já despertou, está lá resmungando, já se levantou e está pronta pra fazer mais bagunças na cozinha além d o leite que já derrubou de cima do fogão e que ainda está todo espalhado ao redor, e que eu preciso limpar o quanto antes senão ela, se já não fez, vai lambuzar todo o chão da cozinha.

 

14) Mestre Rolando, estando eu na Bahia 

      Fui bem no fim do fim de mais um dia 

      Revisitar meu templo: livrarias. 

      Onde no altar consagrado à poesia

      Entre as demais geniais companhias. 

 

                                                                      Clô

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