LXIII – 07/12/85 – sábado - Jardim Monte Cristo, Suzano, SP.
1) Não fiz nada a não ser ficar a tarde inteira tirando os cravos do rosto e das pernas. Nem escrevi. Nem rezei. Nem fui na casa da Sara. Nem fui pra lugar nenhum. Nem lavei o carro que está uma imundície. Estou escrevendo hoje, domingo.
2) Sujim esteve aqui na parte da manhã. Conversou bastante com o Ita e chegou a oferecer-lhe emprego em sua fábrica. Pegou-me totalmente desprevenida. Mas mesmo assim, consegui falar-lhe com firmeza sobre os meus planos. Falei-lhe da minha pretensão em candidatar-me a deputada estadual já. E contei-lhe o porquê desta pretensão e como a farei, isto é: só com a cara e a coragem. De início ele me pareceu não querer concordar. Depois, pareceu-me que concordou. Vamos ver. O importante é lutar. E com a minha luta e com a minha fé no Gohonzon vou transformar o impossível em possível. Aliás, eu não vejo o impossível tão impossível assim. Vejo só como uma coisa difícil mas perfeitamente possível o que, de começo, já é um bom sinal. Dinheiro. Se só dinheiro fizesse tudo eu não estaria aqui viva com todos os meus filhos vivos e encaminhados pois, dinheiro sempre foi na minha vida o que mais me faltou e, no entanto, eu tenho estes filhos, esta casa, estes carros e já fiz algumas extravagâncias como as três operações plásticas e outras cositas mais. Enfim, tudo que eu cismei, mas cismei e me empenhei de verdade pra fazer, com ou sem dinheiro, eu sempre consegui fazer.
3) O Ita chegou contando que o primo do pai dele Chafih, um dos grandes lá da Papelão, lhe ofereceu carona ontem para a Faculdade em Mogi e que então ele, Ita, aproveitou para contar tudo sobre o Aoud. E que o Chafih ficou perplexo com o que ouviu e acreditou no Ita a respeito do que ouvia. E que lhe disse que o Ita lembrava bem Aoud e o João Carlos. Gostei que isso tenha acontecido. Aoud merece que os outros lhe conheçam a outra face. Mas no fundo, no fundo, todos os turcos são iguais.
Clô
Nenhum comentário:
Postar um comentário