LIII – 19/11/85 – terça-feira - Jardim Monte Cristo, Suzano, SP.
1) Às vezes eu quero tudo. Às vezes eu quero nada. Não sei o que vale mais a pena querer.
2) Estou morando aqui neste bairro de gente humilde, não de bandidos. Se bem que há bandidos por aqui como os há em todo lugar. Estou presa aqui neste lugar por esta casa. Do mesmo modo que estou presa à vida por causa da Liliam. Será que vale a pena viver?
3) Rezo pra ver se mudo pra ver se me decido, pra ver se perco esta instabilidade constante que é o meu estilo de ser agora e que eu abomino. Quero ser uma coisa ou outra e nunca as duas juntas. Ser ou não ser. Eis a questão.
4) Lilinha sempre assim doente. E eu que queria tanto que ela fosse normal. Já há duas noites que ela não dorme e não me deixa dormir. E é onde eu fico arrasada. Desanimada. Depressiva. Desejosa de desistir da vida.
5) Meu filho, meu filho. João Francisco. Ler sua carta é tomar uma injeção de ânimo e tomar vergonha na cara. Eu tenho tudo pra ser líder. E vou ser uma líder. Com a ajuda do Gohonzon e do Jânio eu vou ser líder. Apesar de tudo, eu serei uma grande líder. E vocês, meus filhos, são e serão sempre as minhas principais forças.
6) Decidi que vou concorrer nesta próxima eleição como candidata a Deputada Estadual. Nem que seja só com a cara e a coragem. Mas preciso arranjar um patrocinador e, com a ajuda do Gohonzon, ele irá aparecer. E vai aparecer logo. Farabulini? Camargo? Sujim? Quem será? De minha preferência, gostaria que fosse Farabulini. Mas se Sujim ou outro topar o que eu vou lhes propor... Poderá ser outro, e tudo bem.
7) Tanto que eu tenho pra dar...
Você não quer receber.
O que é que eu posso fazer?
Clô
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