terça-feira, 2 de maio de 2023

XIII – 20/09/85 – sexta-feira, 8:30 horas (Monte Cristo)

1) Estou semi dormindo, semi acordada, mas já e ainda pensando. Minha cabeça tem dia que acorda fértil de pensamentos. E eu gosto que seja assim, pois a minha maior distração é pensar. Coisas boas, porém. E originais. Más, não. Credo em Cruz! Acordo, levanto-me e bem devagarinho para Lilinha não acordar também. Estranho! Meu quarto não está como eu deixei ontem. 

Esta banqueta, por que aqui? Será que queimou a lâmpada? Não, não queimou não. Então por que aqui? Será que tiraram a lâmpada para usá-la em outro lugar? O banheiro sujo, fedendo... quem será que fez isso? As portas abertas... Uma mosqueteira na cozinha... Um dos palhacinhos da geladeira sumido. Ué, que será que aconteceu? Será que alguém entrou aqui e fez isso? Ou será que alguém saiu correndo atrasado e deixou tudo assim? E o palhacinho? Onde foi parar? Estranho. Muito estranho.

 

2) Será que nem neste fim de semana Vitória vem? Já estou cansada da ausência dela aqui em casa. A gente conversava tanto. Trocava tantas ideias. Ela tem um modo de ver as coisas tão profundo! Tão bonito! De todos os meus filhos, em matéria de pensamento, ela é com quem mais afinidades tenho. O seu sorriso bonito! O seu rosto bonito! O seu corpo bonito! Os seus olhos lindos! Ah! Vitória, Vitória, minha filha querida. Não me deixe assim tanto tempo sem você. Percebo que tudo o que tenho feito aqui em casa, mais do que para os outros filhos, é para você. Se arrumei os quartos, a casa, tudo, foi sempre pensando em você. 

 

3) Terremoto na Cidade do México. Mais de três mil mortos. Coisa horrível. Pelas fotos, a cidade ficou de perna pro ar. Mais de um terço da cidade toda destruída. Hotéis, hospitais, prédios importantes, tudo só escombros. Os homens querem mostrar que são tão poderosos. É nesta hora que Deus mostra o quanto somos impotentes. E o quanto Ele é absoluto. 

 

4) Acabo de constatar algo que até aqui ainda não tinha me dado conta. Vitória se foi (intencionalmente) de uma vez de nós. Raspou tudo. Ou seja, levou tudo. Estou perplexa com a frieza dela. Faz como se nunca tivesse precisado de nenhum de nós. Esqueceu-se por completo que tem família. É sinal de que está bem! Sempre que ela se julga bem, ela não lembra que tem família. Ela precisa se conscientizar que dor de barriga não dá uma vez só...

                                                                     Clô

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