1) Êxtase a qualquer foco que me venha à cabeça. Qualquer bobagem que me ocorra. Esta noite eu quase nada dormi, com a cabeça ocupada com a preocupação de acordar o Ita às seis e dez! o relógio despertou estridente, alardemente, longamente, de uma forma que me enervou, às seis horas e dez em ponto eu já o chamava. Agora deitei-me de novo só pra me repor um pouco a cabeça pois toda vez que me levanto, assim de repente, fico doente.
2) Lilinha ainda dorme feito uma bonitinha da mamãe. Não é, Lilinha? Ah! Se eu pudesse ser como ela! Tão linda e tão inocentemente irresponsável. Jussara correndo pra lá e pra cá na preparação de ir para a escola. Quer emagrecer a qualquer custo antes que não possa mais. O problema dela é igual ao meu ou pior, porque ela herdou gordura tanto de mim quanto do pai. Dei-lhe um Dobesix. O ideal será ela eliminar de vez todas as massas de que gosta, principalmente o pão. Mas se não comer nada fica fraca. E ainda mais trabalhando o tanto que ela precisa trabalhar! Entre a gordura e a fraqueza é preferível, ainda, a gordura. Só que é tão ruim ser gorda!
3) Ressonei um pouco e acordei com a cabeça clara de palavras entre elas: propõe e recolhe-se. Seria isto a mesma teoria que vê negada dos outros; propõe. E no propor recolhe-se. As palavras são fortes. Não existe no mundo
Nada mais forte que as palavras. Nem as ações. Entre os tapas do Aoud e o que ele me disse, o que mais me feriu, o que mais me arrasou foi o que ele disse.
4) Casas, castelos. A que eu tenho. E outras que no sonho é como se também eu tivesse mas, pelo menos nessa vida real eu nunca tive. Viagem de vez pra Bahia relacionada com a venda da casa, foi um dos meus sonhos destas três horas em que consegui dormir das seis e meia às nove e meia, após a saída do Ita. O outro foi com o Dr. Elson Mota e a plástica que ele me fez no peito, etc. (Depois explico). E com o Silvio, guarda do Forum, que também estava lá para se operar do braço. Devo ir a Mogi. Mais tarde voltarei ao assunto com mais detalhes.
5) Uma dor de cabeça. Uma vontade de rever Vitória. E vou ter que voltar amanhã cedo, não gosto de sair de casa, e faço tudo de modo a fazer duas ou mais vezes a mesma coisa. Sempre saio de casa atrasada. E, além do atraso, encontrei com tanta gente no caminho, fui obrigada a parar, conversar, e acabei atrasando mais. Está quente. Abafado. Mas Mogi sempre cinzenta. Estou aqui no balcão 07 do INPS pra ver se consigo receber aquele meu dinheiro atrasado da Bahia, desde o início do ano passado. INPS é aquele abacaxi de sempre. Também, se não receber agora, vou acabar esquecendo e não recebo mais. Peguei o número 223 e a chamada ainda está no 198. Vai demorar um bocado. Uma meia hora no mínimo. Se me pagarem tá bom. Este dinheiro está tão encantado que até já quase nem conto mais com ele. Se dependesse dele pra viver, já teria morrido. Uma mixaria de dois meses atrasados, cerca de 168 mil e uns quebrados que, se eu tivesse recebido no prazo certo, já não valeria muito. Quanto mais agora, sem correção monetária, mais de um ano depois, o que é que vale? Mas, pra quem, como eu, está com menos de quinze mil cruzeiros na bolsa, até que vale alguma coisa. Pelo menos vai dar pra mim comprar sabonetes, açúcar, óleo e fósforo, que está faltando lá em casa. E macarrão, massa de tomate, queijo ralado, caldo de galinha ou de carne pra eu fazer as macarronadas diárias da Lilinha. Ela ficou tão acostumada, e gosta tanto, que não é capaz de comer bem outra coisa no almoço ou na janta, senão macarrão. Malandrinha. Nem pra agradar a gente ela come o que não gosta. É tão sensível, tão carente, qualquer coisa diferente ela sente muito mais que a gente. Não sabe se comunicar, não sabe dizer o que sente, mas fica tristinha. Seria tão bom se ela pudesse dizer tudo o que sente. Mas não sabe. E a gente tem que adivinhar e trata-la o melhor possível para que ela não se ressinta e não regrida. É tão linda! Uma bonequinha! Perfeita, com uns olhos tão lindos, uma bonequinha. Tão linda, um sorrisinho tão lindo, um rostinho tão lindo, que ninguém diz, só ao vê-la, que é excepcional.
Clô
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