domingo, 9 de junho de 2024

17 12 85

LXX – 17/12/85 – terça-feira - Jardim Monte Cristo, Suzano, SP.

 

1) Meus amigos espirituais, estou sem fé, sem objetivo, sem razão e sem motivação pra lutar e pra viver. O que devo fazer?

  - Clotilde, você precisa vender esta casa e ir embora pra Bahia.

  - Por quanto devo vender esta casa?

  - Por duzentos milhões à vista.

  - Vou achar comprador logo?

  - Sim.

  - Se eu vendê-la assim como está vou achar quem dê duzentos milhões à vista, assim mesmo e logo?

  - Sim.

  - O que devo fazer com a Lilinha?

  - Deve entregá-la aos pais dela.

Coisa horrível. Não. Não. Não. Não. Jamais me separarei da Liliam. Quero só poder dar-lhe sempre do melhor e ter bastante saúde e bastante paciência para tratá-la o melhor possível e com o máximo de carinho possível.

 

2) Antes não tivesse marcado a minha consulta do INPS, aquele médico estragou o meu barato. Mas não faz mal. Quem sabe foi melhor assim? De alta. Estou livre e desimpedida para fazer qualquer coisa na minha vida. Ou voltar a trabalhar... E quem sabe na Prefeitura de São Paulo? Ou fazer a minha campanha de deputada estadual com Sujim ou com Farabulini? De preferência com Farabulini. Isto se Sujim não arcar com a ajuda monetária aos meus interesses. Ou então, quem sabe? Trabalhar com os dois? O povo é quem vai votar. O povo é quem escolhe dos dois o melhor. Celso Amaral? Nunca mais.

 

3) De uma certa forma, amor

    Viajei. Mas não parti.

    Estou toda em Salvador

    Por que? Não me vejo aqui.

    Se quiseres comprovar

    Verás com veracidade

    Que estou em todo lugar

    Da tua maga cidade

    No ar, nas ruas, no mar,

    Em formatos de saudade.

 

    Caso ofusques teu desdém

    Pelo destaque do espanto

    É só procurar-me bem

    No melhor canto do canto

    Entre estas janelas

    Do Boulevard da Cantina.

    Estou a olhar-te com elas

    Tuas portáteis meninas.

    A bebericar com os santos...

    Ouço de Claudete o canto...

    Enquanto janto teu encanto.

 

4) Essência (um fado feito com João Sampaio)

     Eu sou.

     Tudo que existir, é o que eu sou.

     Em qualquer lugar, é onde estou.

     Onde o vento leva, é onde vou.

 

     Saí.

     Mas não arredei os pés daqui.

     Eu não sei ficar longe de ti.

     Eu apenas sou.

   

     Viver.

     Mais que uma paixão

     É um prazer.

     E o que eu quero

     É só querer

     Ser um ser que ao menos

     Possa ser.

     Nada mais

     Que um ser.

     

5) poema ZERO A ZERO

 

    E pensar que eu me vi a me ver

    Sendo muito muito muito amada

    Por você Sol e Céu do meu ser...

    Foi um sonho. E findou sendo nada.

 

    E pensar que eu temi o temor

    De saber-me por tantos amada

    Sem poder a ninguém dar amor

    E foi este o placar da jogada.

 

    Mas, contenho-me. E estou contida

    No sonhar que jamais se realiza

    No temor que se concretizou:

 

    Eu, (que sou tão amada!) Na vida

    Nunca amei a quem quer que me amasse

    Só amei a quem nada me amou.

 

 

6) ESSÊNCIA

 

     Eu sou

     Tudo o que existir é o que eu sou 

     Em qualquer lugar, é onde estou

     Onde o vento leva, é onde vou

 

     Saí.

     Mas não arredei os pés daqui

     Eu não sei ficar longe de ti

     Eu apenas sou

   

     Te ver

     Mais que uma paixão

     É um prazer

     E o que eu quero

     É só querer

     O teu ser para

     Que eu possa ser

     Muito mais

     Que um ser.

 

                             Clô

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