LXXII – 21/12/85 – sábado - Jardim Monte Cristo, Suzano, SP.
1) O Chico Xavier disse ontem pela TV, no programa da Hebe, que toda criança excepcional foram pessoas que, numa existência anterior muito próxima, se suicidaram com tiros na cabeça. E que confirma o dano que o projétil fez em suas mentes, em suas cordas vocais, em seus órgãos visuais, não falam, não enxergam e a mente não funciona. Se morreram enforcadas, ficam paraplégicas. Se fizeram homicídio e depois, por arrependimento se suicidaram, se tornam esquizofrênicas. E que Deus só põe estas crianças em lares cujos pais têm a capacidade para amar até o infinito. E que estas crianças sentem tudo o que se passa ao redor delas. Que dentro do seu mundo, elas são completamente normais e sentem quando são bem tratadas e quando são maltratadas. E tanto se apegam a pessoas que as tratam bem como se desapegam das pessoas que as tratam mal. E que geralmente estas crianças têm pouco tempo de vida. Vivem no máximo até 13, 20 ou 30 anos. Só o tempo que lhes resta para terminar a existência que teriam se não tivessem se matado. Grande Chico Xavier. Como eu o respeito! Como eu o admiro! Como eu gostaria de ser como você!
LXXIII – 22/12/85 – domingo
1) Cheia de interrogações. Questiono e requestiono a vida a todo segundo. Nenhuma resposta objetiva. Nenhuma definição definitiva. Só interrogações e reticências. Mais 10 dias para acabar este ano, mais dez dias para nascer 86. Por que 86? Porque não para junto com este ano que se finda também a vida, também o mundo? Esse impulso de vida inútil, afinal, leva ao quê? Se tudo tem que ter um fim, pra que não um fim de tudo já? Fica só nesse lenga-lenga de hipocrisias, de mentiras, de fingimentos, de cinismos, de falsidades, de egoísmos, de futilidades, de angústias, de perversões, de depressões, de pressões, de domínio, de prepotências, de arrogâncias, de despotismos, de carências, de humilhações, de descrenças, de cepticismos, de negativismos, de pessimismos, de desafios, de perigos, de lutas, de quedas, de aflições, de dores, de desesperanças.
Clô
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