LXXV – 26/12/85 – sexta-feira - Jardim Monte Cristo, Suzano, SP.
1) Sonhei que tinha ido lá na loja do Aoud após as 18 horas. Não me lembro fazer o quê. Só sei que ele apareceu-me em pé atrás do balcão, sorriu-me e pediu-me que esperasse e desapareceu lá para dentro. Fiquei em pé esperando um tempão. Mais de uma hora. Quando ele apareceu, entregou-me uns embrulhos leves. Ao chegar em casa que fui abrir os pacotes, constatei que neles ele havia me devolvido uma porção de badulaques como: brincos antigos pares e avulsos, de bijuterias, assim como broches, fivelas de cabelo, agulhas, pentes, alfinetes, alguns brincos antigos lindos que eu comecei a escolher para poder usá-los agora. Todos bem diferentes, mais bonitos e bem mais trabalhados que os feitos hoje. Alguns ainda em perfeito estado, como novos. Outros feios, ímpares e velhos, havia fotos e pedaços de brinquedos de crianças em meio aos apetrechos. Engraçado é que minhas fotos de verdade, as minhas cartas de verdade, as poucas coisas de verdade como os dois pares de meias que um dia, no começo, eu dei a ele, e o lenço que um dia as crianças lhe deram, e as fotos de verdade do Ita e da Jussara, as minhas poesias, isto ele não devolveu. Só devolveu coisas que não tinham nada com as coisas que eu poderia ter dado a ele.
2) Portuga, depois de muito tempo apareceu por aqui no dia de Natal. Veio rápido, só para desejar Boas Festas. Ainda está sem os dentes. Mas, prometendo pô-los já. Falou-me dos filhos, do neto e perguntou dos meus filhos e soube da minha neta e da Lilinha. Perguntou sobre Aoud, disse-lhe que brigamos por causa da Ação na Justiça. Perguntou-me sobre a Ação, disse-lhe que está correndo e que falta ainda fazer os exames. Que em nenhum lugar se faz sem pagar. E para pagar vai ficar uns treze milhões.
3) Jussara chegou mais tarde. Trouxe-me um presente, uma correntinha de ouro de pescoço com um pingente de menininha, também de ouro. Trouxe-me uma caixa contendo produtos como: uma Sidra Pullmê, um quilo de castanhas do Pará, azeitonas, balas, um litro de vinho, amendoim, um docinho marrom glacê pequeno, uma lata de pêssegos em calda. E trouxe um presente para o Ita, uma camisa da Adidas de malha, azul clara com beiras e golas amarelas. Bonita. E de boa qualidade. Coitada, não precisava fazer nada disso. Já ganha pouco e ainda fica se preocupando com os outros. Bastava que ela comprasse coisas pra ela mesma. Não gostei de ela ter comprado o cordão de ouro. Preciso abrir-lhe os olhos, para não gastar à toa com coisas supérfluas. Se ela não abrir os olhos, ela acaba comprando tudo o que aparece e não vai ganhar nem pra pagar o que compra. E as coisas que realmente ela precisa comprar, vai ficar sem.
Clô
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