LXXI – 20/12/85 – sexta-feira - Jardim Monte Cristo, Suzano, SP.
1) Não gostei do que passou ontem sobre o Jorge Amado na TV. Não o achei nada natural. E aquele filho dele então, o João Jorge, nada tem que se aproveite. Bem que Ari falou que ele parece mais um débil mental. Como não tem como aparecer, por ele mesmo, faz questão de se mostrar com o pai! Andando a pé pelo Pelourinho. Zélia Amado fez plástica. Quer ser simpática pela televisão. Será que consegue? Jorge Amado também cada vez mais mostra que não está mais com nada. Embora o tutu negro em dólares que o cobre. Só tem produção em cima dele. É puxa-saquismo de todo lado. Achei muito artificial a coisa. Muito forçada. Muito sem graça. Muito fútil. Muito vazio tudo o que foi dito e mostrado sobre ele. Só o que se aproveitou mesmo, foram os cenários do Pelourinho, do Mercado Modelo, do Forte do mar, do mar cinzento (em dia de chuva) da Bahia que eu conheço tão bem e morro de amores. De toda a Bahia enfim que é a minha paixão. Sem conhecê-lo pessoalmente já o estou achando, de antemão, um homem metido a besta, isto se não for uma verdadeira besta. Não tem escrito grande coisa ultimamente. A não ser pornografias sobre pornografias. A Bahia bem que merecia alguém melhor para representá-la. Mas ele se intitulou representante cultural da Bahia. Sem ter a menor responsabilidade por isto, e temos de fazer de conta que realmente é e aturá-lo. Só pelo valor do dinheiro. Felizmente, estes valores estão passando. Pelo menos parece. E eu sou a maior torcedora para que estes falsos valores, que não estão com nada, caiam e deixem de existir bem depressa.
2) Ah! Eu quero viver fazendo amigos
De todas as idades, gêneros, raças,
Ideologias, índoles, fés, partidos.
Sem restrições. Individuais. E em massas.
Tanto eu tenho pra dar: força, sorrisos,
Abraços, olhares, falas e esta certeza
Do poder de fazer o que é preciso
Para um mundo de paz e de beleza.
3) O Ita veio me dizer que todos os companheiros dele lá da sessão de manutenção da Papelão, que estavam presentes na Confraternização no sábado passado, sem exceção gostaram muito de mim. E me acharam jovem e muito bonita. E o Ita me falou: mãe, a senhora tem que sair daqui deste buraco, tem que aproveitar esta beleza. A senhora ainda tem uns dez a quinze anos só de beleza (generoso e otimista, meu filho?) e tem que aproveitá-la ao máximo. A turma lá da fábrica falou que a senhora era minha namorada e não minha mãe. Todos foram unânimes em dizer que a senhora é muito bonita.
- Eu estava tão feia naquele dia, estava tão gorda. Preciso emagrecer mais e me apresentar pra eles numa melhor forma. Aí sim. É que eu vou me sentir bem. E eles vão sentir o que é beleza.
Clô
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