sexta-feira, 12 de setembro de 2014

15/06/84 – sexta-feira, 11:30 horas.

Côco, carambola, quinquilharias, estojo de couro e de madeira, esmolers, baianas vendendo doces e acarajés, de tudo se encontra e não há o que não se venda pelas ruas antigas, folclóricas e santificadas de Salvador.
Pelo relógio da Piedade são 11:30 horas. Estão fazendo da Piedade um largo de Feira como é o Largo Terreiro de Jesus. Agora uma banca de livros aqui ocupando uma parte do banco que eu costumo sentar. Mais para o meio da Praça, bancas de roupas e de artesanatos. Uma boa idéia fazer da Piedade uma feira. Aqui é um foco de gente que pode muito bem ser aproveitada para essas atividades comerciais. Deveriam ter lembrado disso há mais tempo. E a praça, que sempre foi boa, estaria melhor ainda. Um moço tocando uma guitarra portuguesa ou bandolim à minha frente sentado no outro banco, tocando Asa Branca e a Margarida de véu, varrendo a praça.

Aqui, na Praça do Poeta, o mar está cinzento. E a Praça do Poeta também está cinzenta. Agora quis dar uns raios luminosos de sol mas desistiu. Se eu pudesse bem que levaria uma dessas jarras de cerâmica com caixa uva que se vende aqui na Rua Padre Vieira. Aliás, se eu pudesse eu levaria Salvador inteira pra São Paulo. Rua Chile e a Casa Sloper, que antes nos velhos tempos, era lá da Rua Direita em São Paulo. Sumiu de lá há alguns anos e agora a encontro mudada aqui para a Rua Chile. Gostosa foi a emoção de reencontrá-la aqui em Salvador e aqui na Rua Chile.
                                            Clô

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