Hoje é dia de São
Sebastião, aniversário da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e dia do
padroeiro de Suzano, São Sebastião do Guaió, portanto hoje é feriado em Suzano.
E é também a posse do novo presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan.
Hoje tem ensaio das candidatas a Rainha do Carnaval de Suzano e a Vitória é uma
entre as dezoito candidatas, e é o dia em que, pela segunda vez, o João
recomeça a trabalhar no Tasaka. O Ita está em Caraguá desde a sexta-feira
passada e só virá amanhã, quarta-feira. E a Jussara está aqui em casa. E eu
tirei o feriado de hoje para ir à Itaquera brigar com Aoud. O pior é que eu
fiquei até as três horas da madrugada apertando cravos do meu rosto, e além de
estar com o rosto todo massacrado, também não dormi nada. E justo hoje que
estou com o rosto no pior aspecto é que preciso ir em Itaquera. Estava até
pensando em não ir, em aproveitar o dia de outro jeito… Mas depois decidi: não,
eu vou sim. E me aprontei primeiro, me maquiei depois, pus as sandálias de
camurça vinho, já um tanto batidas, mas enfim… e o vestido estampado de fundo
azul e de babados que ganhei do Galetti. Até que me achei mais ou menos, na
base do “dá pra quebrar o galho”. Saí correndo para tomar o ônibus das onze,
que me pareceu estar passando bem adiantado. Meia hora antes da hora! É bom,
assim eu chego mais cedo. Mas o trem demorou pra vir. E quando cheguei na
telefônica de Itaquera, já eram 15 para o meio-dia. Até que consegui telefonar
para o Aoud, já eram cinco para 12 horas. Foi ele quem atendeu. Falei em tom
decidido: Aoud, estou aqui e preciso de (Cr$ XX.XXX,XX). E preciso conversar com
você hoje.
- Está bem. Daqui a dez
minutos eu te encontro, respondeu-me ele.
- Onde? Na praça? Eu não
vou conversar com você na praça.
- Eu vou na sua casa.
Daqui a pouco a gente conversa.
Esperei dez minutos como
ele pediu, e desci. Ele também já ia indo para a praça. E nos encontramos bem
no meio da praça. Ele veio dizendo:
- Esta semana eu vou lá
na sua casa e a gente conversa.
- Eu quero falar com
você hoje, Aoud. Não é amanhã, nem depois, nem lá em casa. É agora, e aqui.
- Amanhã eu vou na sua
casa. Sou eu quem preciso falar com você.
- Você não vai, você só
fala que vai e não vai. Do mesmo jeito que você falou que ia semana passada e
não foi.
- Eu não pude.
- Você nunca pode. Eu
preciso falar com você hoje. Você vai lá em casa hoje?
- Não, hoje não vai dar.
Só vou amanhã. Depois eu converso com
você sobre isso. Tchau.
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