quarta-feira, 24 de setembro de 2014

TRISTEZA

              
Tudo é tristeza à minha volta. Tudo.
O céu, as flores, as vozes e os semblantes
Humanos e animais que, agonizantes
Me cercam em sinfonia de sons mudos.

Nada me faz viver cantando e rindo.
Sou triste e melancólica. Sou sisuda.
Pareço a correr, sempre fugindo
De uma agonia algoz, contínua, aguda.

Não sei ser venturosa. Nem tampouco
Ser otimista. Ver sorrir a primavera
Que cai sobre o arvoredo a zunir rouco.

Só sei ser nostalgia e desventura.
Só sei chorar a dor. Ah! Quem me dera!
Dar-me às delícias de uma sepultura!

                                   Clotilde Sampaio

                   Brás, São Paulo, SP, 1964.





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