Tudo é tristeza à minha volta. Tudo.
O céu, as flores, as vozes e os semblantes
Humanos e animais que, agonizantes
Me cercam em sinfonia de sons mudos.
Nada me faz viver cantando e rindo.
Sou triste e melancólica. Sou sisuda.
Pareço a correr, sempre fugindo
De uma agonia algoz, contínua, aguda.
Não sei ser venturosa. Nem tampouco
Ser otimista. Ver sorrir a primavera
Que cai sobre o arvoredo a zunir rouco.
Só sei ser nostalgia e desventura.
Só sei chorar a dor. Ah! Quem me dera!
Dar-me às delícias de uma sepultura!
Clotilde Sampaio
Brás, São Paulo, SP, 1964.
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