Você quer que eu lhe
esqueça e eu vou tentar
Para tanto, eu já começo
a me ajudar
Suportando esta
saudade e este sofrer
Castigando este desejo
de lhe ver
Sufocando esta vontade
de chorar
Maldizendo esta
ansiedade de lhe amar
Rejeitando o dom
sublime de viver
Sem poder me dar ao
luxo de morrer
A presença horrenda
desta solidão
Você quer que eu lhe
esqueça e eu vou fingir
A mim mesma, que já
deixei de sentir
A doidice de querer
lhe procurar
Para ouvir sua voz, e
para lhe implorar
Que você volte de novo
para mim
Devolvendo a paz que
carregou de mim
Você quer que eu lhe
esqueça
E hei de fazer que
seja assim
Mesmo que a última
esperança
Hoje se vá toda de mim
Você quer que eu lhe
esqueça
E hei de esquecer se
Deus quiser
Pois se o querer vira
Poder
Coisa qualquer volta à
Mulher
Clotilde Sampaio
São Paulo, 1968
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