(em algum momento entre 1963 e 64)*
Uma gota de “Emeraude” em um dos pulsos.
Uma gota de “L’Aimant” no outro pulso.
É é como seu eu estivesse ainda
Lá em cima no nº 507
Do 5º andar do Edifício Leste
Da rua Monsenhor Andrade
nº 144, Braz – São Paulo
Depois das 23 horas te esperando
E olhando desesperadamente
Da janela da rua para ver se te vejo
Lá embaixo chegando.
Chegar, subir pelo elevador
E enfiar a chave na porta
E entrar, e desesperadamente
Vir ao meu encontro
E me abraçar e me devorar
De beijos e me engolir
Nos teus beijos, e me
Desmanchar nos teus braços
E me matar de amor,
Tanto, tanto, tanto, tanto
Que até hoje estou morta.
É como se eu ouvisse ainda
O ronco do teu carro
Parando lá embaixo,
É como se eu ouvisse ainda
Os teus passos chegando pelo
Corredor e se aproximando
Da porta, e o barulho da
Tua chave abrindo pelo
Lado de fora a porta. E você
Entrando, dentro de casa,
Dentro do quarto, e dentro
De mim, todinho. Ah!
Como eu te amo, te amo
Tanto, tanto, tanto, que
Até dói.
Clotilde Sampaio
Suzano, 1981
* Título e observação da filha,
Vitória Régia, em 2014.
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