quinta-feira, 11 de setembro de 2014

AI ! BAHIA AIYAI ! . . . .


Não sei onde vai sair aqui
Mas vai sair em algum lugar.
Vou só subindo ladeiras
E esta ladeira de alguma forma
Tem de sair em algum lugar.

Que prédio será este?
Que rua será esta?
Calçadas estreitas
Ruas idosas
Casarões antigos.
É um prazer andar a pé sobre estas ruas.
Subir bem devagarinho as ladeiras
Olhando tudo bem devagar.

Largo Dois de Julho!
Sabia que ia dar em algum lugar
E que poderia ser este lugar.
Largo Dois de Julho
De Vadinho de Dona Flor de Jorge Amado
Largo Dois de Julho sim senhor!
Aqui nasceu toda a poesia de Jorge amado.

Descontração é o que não falta aqui.
Cada um anda como quer
Cada qual mora como pode
Cada qual faz as coisas como quer
Cada qual se diverte e sofre do jeito que quer.
E daí?

Ruas sem nome
Mas cheias de mistérios.
Repletíssimas de mistérios.
Becos apertados e escuros
Que eu não sei onde findam
Mas que eu os enfrento.
Porque sei que vão dar-me a algum lugar
Em alguma surpresa.

Rostos queimados
E rostos pintados de carvão por todo lado.
Todos têm uma face só
E um mistério só.

Ah! Azulejos coloniais
Ah! Se eu pudesse arrancar um desses azulejos
Pra guardar no meu baú de antiguidades.
Tenho fobia por azulejos antigos
Por tudo que é antigo.
Só não por mim.
Embora seja a coisa mais antiga
Bem mais antiga que tudo que existe aqui.
Só que para mim eu não tenho mistérios
Nem tenho fascínio. E
Por isso eu não me curto.

Um cheiro gostoso de comida baiana
De doce baiano
Do cheiroso doce baiano
Do gostoso tempero baiano.

Rua do Cabeça
Da Farmácia do Doutor Teodoro
Quantas vezes Dona Flor passou por aqui.
Rua do Sodré
De Castro Alves.
Quantas vezes Castro Alves
Andou por aqui.
Vielas
Bem estreitinhas, bem fininhas
Rua do Sodré
Rua dos números das casas todos salteados
Sem ordem. Em desordem.
Casa de número 360 da Rua do Sodré
Foi aqui que faleceu Castro Alves
E ali do lado em frente, aquele outro sobrado
Que deve ser das duas irmãs judias
Ambas amadas do belo e genial poeta.
Que sorte que ele tinha!
Que sorte que elas tinham!

Praça do Relógio de São Pedro
Cara a Dona Flor e ao Doutor Teodoro
Quantas e quantas vezes eu já passei por aqui
Quantas e quantas vezes eu já o revi.

Bahia
Quanto mais te vejo
Mais te quero ver.
A cada dia que eu te vejo
Eu te vejo com olhos de primeira vez
Ba – Ba – Ba – Ba – Ba – Bahia!
Embas – bas – bas – bas – bacante Poesia!

Largo da Piedade
Todo mundo sentado
Te esperando encantar.
Se eu pudesse, eu também te esperaria.
Mas lá em casa
Está todo mundo
Me esperando chegar.

Bahia
Queria descobrir teus mistérios...
Teus segredos...
E andei, andei... andei...
E ainda não te desvendei.
Quem conseguirá te desvendar?

Eu não me canso de andar por tuas ruas
Eu não me canso de te contemplar
Baiana bonita
Baiano bonito
Aí ele aí!
Taí!
Bahia
Quanto mais te vejo,
Mais te quero ver.
Quanto mais te quero ver,
Mais te admiro.
E quanto mais te admiro
Mais te amo!

Ai, Bahia aiYÁi!...
                                          Clotilde Sampaio 


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