terça-feira, 7 de abril de 2020

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      Aoud

      Desde a última vez em que você veio aqui espalhafatoso, monstruoso, ridículo, urrando e fazendo frases e gestos obscenos na frente das crianças, (ou melhor, de sua própria e inocente filha), mostrando, mais uma vez com isso, a gigantesca forma da sua mesquinhez e o quanto você tem de canalha e de covarde, eu não tenho mais motivo nem obrigação nenhuma para respeitá-lo nem considerá-lo gratuitamente como antes fazia. E é bom que você saiba que, de agora em diante, eu não quero mais nenhum tipo de amizade, acordo ou cumplicidade com você. E faço questão mesmo de me declarar sua implacável inimiga.

      Medo de trabalhar eu não tenho. Você me conheceu trabalhando. (E, mesmo depois disso, eu nunca deixei de trabalhar pois cuidar de uma casa e da educação de quatro filhos menores sozinha, e em condições desfavoráveis, não é nenhum brinquedo). E, para qualquer eventualidade, eu ainda tenho uma mente, duas pernas e dois braços todos ainda em perfeito estado. Não sou analfabeta e os meus filhos já estão mais ou menos crescidos.

      Estou um vulcão em plena e furiosa erupção, pronta para arrasar com o seu descaramento, com o seu cinismo e com a sua alegria. Só aguardando para isso um mínimo descuido seu. Portanto, muito cuidado comigo. Pois,   dentro das minhas razões, eu não tenho medo de ninguém. Nem de Deus.
    
      Estou precisando não só de dinheiro como também de outras coisas que você sabe muito bem quais são. E, se você não vier me trazer por bem, irei aí buscar... por mal. Será tudo ou nada, não importa, já que nada tenho a perder. O importante mesmo e muito, para mim, será o magnífico espetáculo da estrondosa derrubada da sua grossa e pesada máscara de santo no chão, diante da “sociedade à qual você pertence”, dos seus amigos, fregueses, familiares e, principalmente, da sua esposa e dos seus filhos.

      Já imaginou quão soberbo, magnânimo, divino e inolvidável será esse show? Não? Ora, será que preciso lembrar-lhe que quanto mais alto o coqueiro maior é o tombo do côco?

      “Abraços” e “beijinhos” muito loucos da “sua”

                                                                                   Clotilde

      E, depois da queda, você vai me matar? Não vai. Tenho certeza que não vai. Pelo seguinte: embora você seja muito grande de posição e de estatura, na covardia você ainda é bem maior. Me bater? Bem, isso é bem possível sim. Visto que, negligenciar os próprios filhos e bater numa mulher, são atos dos mais próprios e dos mais dignos de um covardão, de um patife e de um cafajeste como você. E eu estou para o que der e vier. Sou pequenina, um quase nada, sim. Mas para o teu mal, existo. E dentro das minhas razões e das razões dos nossos filhos, você vai ver só e quanto eu resolvo! Okay?

                                                  A “sua” 
                                                                         Clô
       
                                                                                Suzano, 06-12-1974.

     

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