Salvador, 19 de abril de 1991.
Pedro,
Reenvio-lhe aqui nossos três primeiros poemas, nas suas formas definitivas. E também o quinto que está indo pela primeira vez para que você o conheça. Chama-se “ESPECTROS” e nasceu nesta última terça-feira dia 16/04/1991, entre 11:05 e 13:20 horas, após uma longa, difícil e sofrida gestação, mas de parto normal. Quero dizer que nasceu como está e como lhe mando e, creio que não vai precisar de mais qualquer reparo. Quanto ao nosso quarto verso, ou filho, continua ainda na incubadora. Também, (coitado e... o que você acha?) gestado de óvulo não galado, gêmeo do 3º (que também nasceu bem equivocado: chamou-se a princípio, de acordo com sua primeira forma “BASTA, e... BASTA!”. Lembra-se? Mudou quase que totalmente de sentido e passou a chamar-se “PRESSÁGIOS” nascido (com e como o outro) bastante prematuro e, por último, teve e está tendo a sorte de sobreviver. Mas já sofreu uma primeira metamorfose, tanto no conteúdo quanto no nome, e está passando pela segunda transformação, ou mudança, ou fase alquímica, e com quase certeza, posso dizer-lhe que vai mudar também de nome outra vez. Bem, o importante, pra mim, é que ele revele, na sua definitiva fisionomia, o mais exatamente possível, todos os realces (os mínimos e os máximos), nuances, sutilezas, e essências contidas no sêmen que você, sem querer, deixou entrar em mim e que, ao se alojar no mais íntimo do íntimo do meu íntimo, provocou todas as reações possíveis e impossíveis, contribuindo para que ele também viesse a existir, na forma em que precisa existir. Bem, assim que ele tomar por inteiro a sua verdadeira e definitiva personalidade e corpo, lógico que você irá revê-lo. Certo? E, até lá, quem sabe? Mandar-lhe-ei também outro, ou outros, e outros, que estão uns, para nascer, outros, nos mais variados estados embrionários e fetais de gestação, e outros ainda em sementes, cada qual esperando sua vez e tempo próprio ou impróprio de germinar. É... ter esse destino de ser mãe solteira, fértil e coruja é fogo. Não deixa de ser um destino amargo, mas também muito muito gratificante, imprevisível, fatal, e imutável. Mas, os orgasmos, os..............(*)
Clotilde Sampaio
(*) não encontrada a sequência do texto.
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