Aoud,
Meu amor,
Gosto de ti... desde aquele seguro instante
Que, sem querer, te contemplei bem de pertinho.
Pois julguei ver, na placidez do teu semblante,
Que, como eu, necessitavas de carinho.
Gosto de ti... ao perceber que a timidez
Te acompanha quando vens falar comigo.
Pois só gaguejas. E eu bem noto em tua tez
Aquele ar de quem não sabe ser fingido.
Gosto de ti... sempre que dás aos meus ouvidos
O sibilar da tua voz, tão mansa e calma.
Que és sincero, percebem-te os meus sentidos.
E que és bom, compreende-te a minha alma.
Gosto de ti... do teu perfil de beduíno
Onde admiro os olhos teus, negros, brilhantes.
Gosto do teu jeito de ser, bem masculino
Que é, do teu todo, o que há de mais predominante.
Gosto de ti... e isso me enche de vaidade.
Pois tudo em ti, só me deslumbra e me fascina.
Teu corpanzil, o teu sorriso, a tua idade,
Os teus cabelos salpicados de platina.
Gosto de ti... por te saber bem diferente
Dos demais homens, hipócritas, aventureiros,
Que a nós, mulheres, enganar buscam somente
Sem dar valor a um sentimento verdadeiro.
Gosto de ti... porque és um homem de verdade.
Porque me sinto, junto a ti, mais protegida
Da multidão, de toda espécie de maldades
Que, a todo instante, vêm rondar a minha vida.
Clotilde Sampaio
20/07/63.
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