Para Aoud Id
Não te conheço, e nem tampouco sei quem és,
Vejo-te apenas à noite na rua
Sempre que faço o meu percurso a pés,
Noto, a me perseguir, a imagem tua.
Prostras-te sempre à beira da calçada
E mostras que algo tem para me falar.
Mas, se aproximo então, não dizes nada,
Apenas põe em mim, teu fixo olhar.
Mesmo nas noites frias deste inverno,
Quando a rua é passarela dos meus fãs,
Distingo o tom escuro do teu terno
Entre as demais figuras neutras, vãs.
Para a minha alma transbordante de poesia
Que se alimenta apenasmente de ilusão
Basta-lhe, e muito, viver só da fantasia
De ser a amada de um estranho coração.
Clotilde Sampaio
Brás, São Paulo, (provavelmente 1963, do livro cinza encadernado).
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