Para Aoud Id
Num sonho quase louco, imaginário,
Numa ilusão vaga, perdida, além, distante,
Num ideal audaz, soberbo, extraordinário,
Na estrela mais bonita e cintilante.
Nas trevas da extinção de uma lembrança,
Na luz que, ao longe, brilha em casa alheia,
Na sacra redenção de uma esperança,
Num sorriso primor de lua cheia.
Atrás de altos píncaros, baixos montes,
Atrás a veste azul do firmamento,
Atrás de nuvens cheias de horizontes,
Atrás do mais sublime pensamento.
Num gargalhar de dor, forte, estridente,
Na lágrima de uma sã felicidade,
Na voz da solidão muda, silente,
No anseio que acompanha uma saudade.
Nas ondas de águas verdes do oceano,
Na praia escancarada ao sol festivo,
Na vida onde eu fugi do desengano,
Na morte da ilusão disto que eu vivo.
Clotilde Sampaio
Brás, São Paulo, (provavelmente em 1963, pois se trata de uma das primeiras poesias do livro cinza encadernado).
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