1) Fiquei tão danada hoje com as travessuras da Lilinha que cheguei a dar duas chineladas nas perninhas dela. Que pecado. Bater numa criança que nem falar sabe. Depois que passa a minha raiva é que eu tenho dó. E me arrependo. Queria tanto ter toda a paciência de que ela necessita. Queria tanto que ela sarasse, que ficasse normal. Que entendesse a gente. Que sentisse todas as emoções e que pudesse se comunicar. Uma menina tão linda! E tão problemática! Mas eu tenho certeza de que, logo logo, ela vai sarar e vai poder entrar na escola e aprender tudo que uma criança normal aprende.
2) Loreninha linda da vovó tem um olhar firme. Um olhar de muita personalidade, e de muito inteligente. Peta, peta, petinha. Peta, peta, petinha.
3) Faz mais de duas semanas que não tomo banho. E não estou nem aí.
VII – 14/09/85 – sábado – 10:20 horas.
1) Mulher não existe. Nem precisa existir. É um ser inútil que só serve para atravancar o mundo.
VIII – 15/09/85 – domingo.
1) Estive bem disposta hoje. Acordei e levantei-me mais ou menos cedo e, após dar o café à Lilinha, limpei toda a casa, isto é, varri, lavei a área de fora e a arinha do portão. Varri todo o quintal. Dei bronca no Dudu porque não me obedeceu quando eu lhe pedi que jogasse uma folha de jornal no lixo. A Jussara saiu bem cedo para ir a uma churrascada do Guaió, lá no Cenaturis. O Ita dormiu até duas da tarde. Fomos todos, eu, Dinorá, Liliam com o Doca, Miriam e crianças em casa dos nossos parentes lá em Vila Lisboa, em São Paulo. Lilinha também estava bem o dia inteiro, graças a Deus. Estava alegrinha e bem animada. Princesa não está dando ânimo para os filhotes que vão acabar morrendo todos desse jeito, porque eu é que não vou perder meu tempo cuidando dos filhotes dela. O Ita disse que o que a gente está fazendo tem retorno. E que a Princesa só sai pra fora porque ela não tem comida aqui. Conversa! Ela sai porque é sem vergonha e desnaturada. Vitória esqueceu-se mesmo da gente. Eu só quero que o motivo que não a traz aqui seja por ela estar muito bem.
Clô
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